sábado, 22 de fevereiro de 2014

Pedagogia Espírita









Prefácio de Luiz Antonio Fuchs

  Esta obra, segundo seu prefaciador, foi constituída com os textos mais significativos produzidos por Herculano Pires para o periódico “Educação Espírita”, que ele dirigiu no período de 1970 a 1974. (Pág.  XII)







O mistério do ser

  A educação depende do conhecimento menor ou maior que o educador possua de si mesmo. Conhecer-se a si mesmo é o primeiro passo do conhecimento do ser humano. Como as diferenças temperamentais, culturais, raciais, de tipologia psicológica, de nacionalidade, cor ou tamanho são apenas acidentais, a educação é universal e seus objetivos são os mesmos em todas as épocas e em todas as latitudes da Terra. (Pág. 1)

  Essa padronização, que deveria simplificar a educação, na verdade a complica, porque existem as diferenciações individuais e grupais por baixo do aspecto padronizador. Cada indivíduo é único, diferente dos demais, mesmo nos grupos afins. O mistério do ser, que aturde os educadores, chama-se personalidade. (Pág. 1)

  Educar é decifrar o enigma do ser em geral e de cada ser em particular, de cada educando. René Hubert, pedagogo francês contemporâneo, define a educação como um ato de amor, pelo qual uma consciência formada procura elevar ao seu nível uma consciência em formação.

Nesse sentido, o verdadeiro educador é o que pratica a Religião verdadeira do amor ao próximo. O ato de educar é essencialmente religioso. Não é apenas um ato de amor individual, do mestre para o discípulo, mas também um ato de integração e salvação.

A Educação não procura integrar o ser em desenvolvimento numa dada situação social ou cultural, mas na condição humana, salvando-o dos condicionamentos animais da espécie, elevando-o ao plano superior do espírito. (Págs. 1 e 2)



Pela educação integral

  A Educação Espírita não surge como uma elaboração artificial em nosso tempo, como uma novidade a mais desta fase de transição.

Toda forma de cultura exige meios de transmissão. O meio básico de transmissão cultural é a educação. Era inevitável, pois, com o advento do Espiritismo, o aparecimento da Educação Espírita, que foi se delineando aos poucos, à maneira da Educação Cristã: primeiro no lar, depois nas instituições em forma de catecismo e por fim na criação das primeiras escolas. (Págs. 5 e 6)

  A Educação Espírita objetiva sobretudo uma forma de Educação Integral e Contínua, abrangendo ao mesmo tempo todo o complexo da personalidade do educando e todas as faixas etárias em que ela se projeta.

Ligada historicamente à linha rousseauniana da Educação Moderna, através de Pestalozzi, de quem Kardec foi discípulo e continuador, a Educação Espírita se entrosa naturalmente nas aspirações e nos objetivos da Pedagogia contemporânea. [Pág. 8]




 


E a quem melhor despertar, senão às crianças?


  Os evangelhos de Jesus constituem uma síntese das conquistas espirituais da Humanidade em toda a sua evolução, até o momento histórico do advento do monoteísmo como uma realidade social.

Ora, negar às crianças o direito à educação cristã, através da evangelização, seria sonegar-lhes o quinhão que lhes cabe na herança cultural. Sem o processo da educação, o ato de amor de Kerchensteiner e Hubert, não despertaremos para a nova orientação que devemos seguir na nova encarnação, na nova experiência existencial. Sem o impacto da educação, a cultura do passado não renascerá em nós em seu novo desenvolvimento. (Págs. 11 e 12)

  As pesquisas sobre a educação primitiva mostram que mesmo nas tribos selvagens a iniciação nos costumes, nos rituais, nas crenças e nas tradições da nação se processa com regularidade, dentro de uma sistemática apropriada, porque o direito de escolha, de opção, no exercício do livre-arbítrio individual, pressupõe inevitavelmente o direito de aquisição dos elementos necessários ao julgamento. A educação não é um ato de imposição, de violação de consciência, mas um ato de doação. (Págs. 12 e 13)

  O educador oferece ao educando os elementos de que ele necessita para integrar-se no meio cultural e poder experimentar por si mesmo os valores vigentes, rejeitando-os, aceitando-os ou reformulando-os, quando amadurecer. (Pág. 13)







Condições da criança


10   As condições de aprendizado da criança variam numa escala progressiva, segundo o seu desenvolvimento psicossomático. Determinar uma idade-limite em que essas fases se sucedem é temerário. As escalas ontogenéticas são bastante flexíveis, mas no campo específico da psicogenética verifica-se uma continuidade entre a percepção e o desenvolvimento da representação. (Pág. 13)

11   No tocante ao desenvolvimento da linguagem, diz René Hubert, ela acompanha o desenvolvimento da inteligência. A inteligência infantil se manifesta progressivamente, passando da fase sensório-motora para a fase prática, desta para a representativa e desta para a abstrata. Mas está sempre atuante no desenvolvimento orgânico e psíquico. (Pág. 13)

12   Enfrentando o problema na posição materialista, podemos negar à criança a capacidade de compreensão de certos princípios abstratos, mas, enfrentando-o numa posição espírita, teremos de admitir suas possibilidades latentes. (Pág. 13)

13   É preciso, porém, lembrar que a evangelização da infância não é nem pode ser feita em termos de pura abstração, o que seria um ilogismo. Daí o apelo muito justo e pedagógico às historietas figuradas. (Pág. 14)

14   Trata-se de uma técnica audiovisual de inegável eficiência e seu objetivo não é a transmissão dos princípios doutrinários, mas o despertar da criança para a compreensão de realidades que ela já traz no inconsciente, na memória profunda que guarda as vivências do passado. (Pág. 14)

15   A função da historieta é a mesma da maiêutica de Sócrates e lembra o acordar da reminiscência platônica na mente do Espírito encarnado. (Pág. 14)

16   Essa função corresponde precisamente ao objetivo real da educação, que não é transmitir ensinamentos, mas predispor a mente a recebê-los através da instrução e assimilá-los na formação cultural.

Por isso, a evangelização da criança não pode ser encarada como ato de imposição ou de violência. Nenhuma aula de evangelização espírita impõe dogmas de fé nem pretende realizar a internalização dos princípios espíritas. Sua finalidade é o contrário: despertar na criança as suas forças interiores e fazê-las aflorar no plano da consciência.

O que se pode é enriquecer essas aulas com as contribuições do Método Montessori, criando um ambiente estimulante e juntando às historietas outros elementos sensoriais, de acordo com as faixas etárias dos alunos. Os trabalhos de Maria Montessori e sua teoria educacional correspondem em grande parte às aspirações e objetivos da evangelização espírita das crianças. (Pág. 14)







Educação no lar

17   Após defender a tese de que não podemos restringir essa tarefa apenas ao âmbito familial, Herculano adverte que a preocupação dos cursos de evangelização da infância, no meio espírita, não é nem pode ser a da transmissão de princípios, mas apenas a de preparação do espírito infantil para o bom aproveitamento da sua atual encarnação.

A orientação moral não é uma preparação filosófica, mas um processo de integração das novas gerações em determinado sistema de vida, a fim de que possam beneficiar-se com as experiências e conquistas das gerações anteriores. (Págs. 15  e 16)

18   A educação espírita começa no lar. Nas famílias espíritas é dever dos pais iniciar os filhos nos princípios doutrinários desde cedo. A falta de compreensão da doutrina faz que certas pessoas pensem que as crianças não devem preocupar-se com o assunto.

Tais pessoas se esquecem de que seus filhos necessitam de orientação espiritual e que essa orientação será tanto mais eficiente quanto mais cedo lhes for dada. É preciso não esquecer que as crianças são espíritos reencarnados, espíritos adultos que se vestem “com a roupagem da inocência” para iniciarem uma vida nova. (Págs. 16 e 17)

19   Ensinar às crianças o princípio da reencarnação, da lei de causa e efeito, da presença do anjo guardião em suas vidas, da comunicabilidade dos Espíritos e assim por diante, é um dever inalienável dos pais.

As crianças já trazem consigo o germe desses conhecimentos e estão mais próximas do mundo espiritual que os adultos. O maior patrimônio que os pais podem legar aos filhos é o conhecimento de uma doutrina que vai garantir-lhes a tranqüilidade e a orientação certa no futuro. (Pág. 17)

20   A melhor maneira de desenvolver a educação espírita no lar é organizar festinhas domingueiras com prece, recitativos infantis de tema evangélico, explicação de parábolas, canções espíritas e brincadeiras criativas que ajudem a despertar a criatividade das crianças. Essas festinhas preparam o espírito da criança para as aulas no Centro e na escola. (Pág. 18)

21   Esconder às crianças de hoje a verdade espírita é cometer um verdadeiro crime contra o seu progresso espiritual e a sua integração na cultura espírita do novo mundo que está nascendo. A educação no lar é a base de todo o processo posterior de educação escolar e de educação social que os jovens irão enfrentar na vida. (Pág.18)






Educação e regeneração

22  Espiritismo é educação. Educação individual e educação em massa. Contudo, há os que querem reduzir a Educação Espírita ao campo do autodidatismo. Só entendem a educação individual pela doutrina.

Cumprindo um dos seus objetivos, o Espiritismo de massas exige educação massiva, porque a missão do Espiritismo não é esclarecer alguns indivíduos em meio às multidões, mas esclarecer as multidões, alargar o conhecimento humano, colocar os homens diante da realidade integral da vida, para regenerá-los. (Pág. 19)

23  Segundo vemos em “O Livro dos Espíritos”, é pela educação que o mundo poderá regenerar-se. A Educação Cristã substituiu a Educação Pagã e modificou a Terra. A Educação Espírita renovará a Educação Cristã e, com ela, o Mundo. (Pág. 20)

24  Educação Espírita é o processo de orientação das novas gerações de acordo com a visão nova que o Espiritismo nos oferece da realidade. Mas, a Educação Espírita não é um processo de coação, de imposição das idéias espíritas, mesmo porque um dos princípios fundamentais do Espiritismo é o da liberdade de consciência. O Espiritismo não é uma forma de dominação de consciência, mas de libertação. (Pág. 20)

25  Assim, a Educação Espírita, tal como a Cristã, apresenta-nos dois aspectos correspondentes às exigências atuais. De um lado, deve ser um sistema educacional aplicável ao meio espírita.

De outro, uma influência educacional remodelando os postulados pedagógicos no sentido geral. Não podemos pretender que todas as nações se tornem espíritas, o que seria uma utopia e um contra-senso; por isso não tenhamos a ilusão de que a Educação Espírita absorverá e englobará numa só todas as formas pedagógicas existentes. Essa intenção seria contrária à concepção espírita.(Págs. 20 e 21)








As dimensões da educação

26   A educação só se tornou problemática nos momentos em que se desligou da religião. Enquanto as religiões incorporaram em suas estruturas gerais o conceito de educação como salvação e a prática educativa como catequese, não havia problema.

Quando, porém, o pensamento crítico se desenvolveu, a ponto de atingir a própria substância da fé, retirando ao homem a base de suas certezas tradicionais, surgiu a problemática da educação. (Pág. 25)

27   A reincorporação da educação à estrutura religiosa, verificada na Idade Média, não representou um retrocesso, porque se realizou num plano de enriquecimento conceptual, ou seja, embora dominada pela concepção religiosa, a educação medieval já se processava numa perspectiva racional, fruto de um lento processo de caldeamento em novas possibilidades. (Pág. 26)

28   Na medida em que vão surgindo, nas linhas sucessivas desse processo, as dimensões espirituais do homem, a educação naturalmente se desenvolve em perspectivas dimensionais. (Pág. 26)

29   Encarar a educação num plano de desenvolvimento progressivo, não apenas histórico, permite-nos uma melhor compreensão do problema educacional.

Da educação primitiva – como simples forma de integração – passamos às formas religiosas e cívicas, como processos de domesticação, para atingirmos os conceitos clássico e moderno de formação cultural, em que as condições de imanência social são finalmente rompidas pelo impulso de transcendência espiritual. (Págs. 26 e 27)

30   Se pudermos encarar a educação como um processo de desenvolvimento dimensional da cultura, não como substituição de fases históricas condicionadas pelo tempo, mas de um processo que se serve do tempo, estaremos mais próximos de uma visão global do problema. (Pág. 27)

 







As dimensões do homem

31   As dimensões da educação decorrem das dimensões do homem. Se o homem pode ser encarado, tanto espiritual como socialmente, numa perspectiva de sucessões dimensionais, então o processo educativo também será suscetível dessa visualização. (Pág. 27)

32   A tese de Jean Paul Sartre, em seu conhecido ensaio de ontologia fenomenológica, pode ser assim resumida: antes de mais nada, o corpo existe, e este existir é sua primeira dimensão; depois o corpo entra em relação com os outros, e nesta relação surge a sua segunda dimensão; por fim, no conhecimento do corpo pelos outros tem ele a sua terceira dimensão. (Pág. 28)

33   Essa dialética das dimensões adquire em Denis de Rougemont maior densidade ontológica, porque passa do plano da fenomenologia para o da metafísica, embora se apresente numa perspectiva fideísta. A transcendência do ser, que é a sua terceira dimensão, equivale a um duplo processo de relações: no plano social como amor do próximo e no metafísico como amor de Deus. (Págs. 28 e 29)

34   Essas dimensões se tornam, porém, ainda mais claras num enfoque histórico-cultural:

A primeira dimensão é a do horizonte tribal, que o autor define servindo-se da teoria do corpo mágico ou corpo-sagrado do ensaísta austríaco Rudolf Kessner, em que o homem primitivo aparece como simples parcela de um todo fechado em si mesmo;

A  segunda dimensão é a do horizonte civilizado, em que surge o indivíduo urbano que se torna cidadão; a terceira dimensão é a do transcendente, em que o homem se torna cristão, integrando-se nos princípios espirituais da civilização. (Pág. 29)

35   É o seguinte o esquema apresentado pelo próprio Denis de Rougemont: “Se o homem do clã, da tribo ou da casta só tinha uma dimensão real: sua relação com o corpo sagrado; se a segunda dimensão, inventada pelos gregos, é a que reúne o indivíduo e seu modo de relações, a cidade; São Paulo definiu a terceira dimensão.

A relação dialética com o transcendente, religando o indivíduo como vocação divina à comunidade, como amor do próximo. Esse homem, melhor liberado que o indivíduo grego, melhor entrosado que o cidadão romano, mais livre pela fé mesma que o entrosa, é o arquétipo do Ocidente que nasce, é a pessoa. (Págs. 29 e 30)




Educação e Filosofia

36   Foi René Hubert quem, ao publicar o seu Tratado de Pedagogia Geral, na França, procurou lançar as bases realmente filosóficas de uma Filosofia da Educação.

No prefácio de seu livro, Hubert reproduz a crítica que Paul Desjardins havia feito aos reformadores da educação, aos formuladores da escola pensada à francesa. O centro, de que tudo parte e que não foi assinalado com suficiente ênfase em nenhum lugar, diz Hubert, é o homem: “a escola pensada à francesa é a que se dedica a ensinar e fazer nascer o Homem”. (Pág. 32)

37   A Filosofia da Educação abrange todo o contexto de ações e reações objetivas e subjetivas que vai do ser como ser ao social como social e como cultura. Investigar as possibilidades metodológicas da teoria das dimensões humanas parece-nos, pois, tarefa das mais promissoras. (Págs. 33 e 34)

38   Superar a situação conflitiva do presente para encontrar um plano de unidade equivalerá a reconstruir a homogeneidade religiosa, porque, segundo Hubert, o destino do homem “consiste em ser espírito”, e o fim da educação, segundo Kerchensteiner, é “a criação de um ser espiritual”. (Pág. 35)





Educação e religião

39   O aparecimento e o desenvolvimento da escola leiga, do laicismo pedagógico, têm sua fonte em três grandes equívocos que felizmente estão agora em fase de extinção:

  1º-) O equívoco do Materialismo, que na verdade só apareceu de maneira clara e definida na época moderna. Foi o desenvolvimento das Ciências que permitiu uma fundamentação positiva para o Materialismo e conseqüentemente a sua formulação filosófica.

Desde então surgiu o conflito Ciência versus Religião. Os homens cultos e os espíritos fortes opuseram-se ao ensino da Religião nas escolas por considerá-lo determinante de retrocessos culturais. O laicismo tinha por finalidade garantir uma educação liberta de superstições e preconceitos que as religiões semeavam e estimulavam nos educandos.

  2º-) O equívoco do Espiritualismo, que, partindo de premissas certas, desenvolveu-se em várias formas de falsos silogismos, chegando a conclusões erradas na elaboração de suas teologias, teogonias e dogmáticas.

  3º-) O equívoco da Filosofia, que, através da Gnosiologia, da Teoria do Conhecimento, acabou referendando os dois equívocos acima, particularmente a partir do criticismo kantiano, que delimitou o campo do conhecimento possível, relegando para o impossível, portanto fora do alcance científico, os problemas espirituais.

A separação entre Ciência e Religião foi então oficializada no plano cultural. Se o homem só podia conhecer através da Ciência pelo uso da Razão, não havia motivo algum que justificasse nas escolas a disciplina religiosa. A escola se tornava instrumento da Ciência. A Religião devia, pois, restringir-se ao âmbito familial e ser ministrada nas igrejas. (Págs. 36 e 37)

40   Hoje em dia a situação está mudada. O Materialismo perdeu seus elementos de sustentação no campo da Razão e uma das causas foi a descoberta de que a matéria é simples condensação de energia. O Espiritualismo modificou-se e continua a modificar-se profundamente, e o fanatismo obscurantista não tem mais nenhuma possibilidade de manter o seu domínio nos povos.

A Filosofia, por sua vez, está francamente de volta às suas raízes espiritualistas. A situação atual revela-se, assim, favorável à solução do impasse educacional criado pelo fanatismo religioso, pois, científica e filosoficamente, já se reconhece que a Religião é uma das províncias principais do conhecimento. (Págs. 38 e 39)







Religião nas escolas

41   Ao lado de todos esses eventos devemos assinalar o desenvolvimento das pesquisas e dos estudos sobre a Religião no meio universitário. Há um conceito novo de fé. Tudo isso facilita a compreensão de que não podemos ter Educação sem Religião e de que o sonho da Educação laica não passou de resposta aos grandes equívocos do passado já referidos. (Pág. 40)

42   Reconhecendo que a Religião corresponde a uma exigência natural da condição humana e a uma exigência da consciência humana, e que pertence de maneira irrevogável ao campo do Conhecimento, devemos reconduzi-la à escola, desprovida porém da roupagem imprópria do sectarismo. Temos de introduzir nos currículos escolares, em todos os graus de ensino, a disciplina Religião ao lado da Ciência e da Filosofia. (Pág. 41)

43   A Educação proposta por René Hubert tem por fundamento a Filosofia do Espírito. Nessa proposta a Religião comparece, não como um ensino dogmático e sectário, mas como resposta às exigências conscienciais do homem, esclarecendo-lhe os problemas da existência de Deus, da natureza espiritual das criaturas e da sua destinação transcendente.

Não é o padre, nem o pastor, nem o rabi, nem a catequista que vão dirigir a cadeira, mas o professor especializado no assunto, tratando dos problemas religiosos como se trata dos filosóficos e científicos. (Págs. 41 e 42)

44   De posse dos dados fornecidos pela disciplina escolar, o educando decidirá por si mesmo o setor religioso em que se localizará, se for o caso, mas poderá também apoiar-se nesses dados para o desenvolvimento de sua própria religião, pois, como demonstrou Bergson, existe a religião dinâmica individual que não se cristaliza em estruturas sociais.  (Pág. 42)

45   A Educação, dessa maneira, não seria parcial, voltada apenas para os problemas imediatos da vida, mas forneceria elementos racionais para a formação espiritual do educando.

Ela não seria religiosa no sentido estreito do sectarismo hoje dominante, visto que, às portas de uma civilização espiritualista, não podemos continuar educando as crianças e os jovens nos moldes obsoletos do passado. Educação sem religião é atualmente absurda, como absurda é a educação materialista que continuamos a aplicar. (Pág. 43)










Nascimento da educação cristã

46   A prática judaica e a teoria cristã deram nascimento a um novo tipo de educação, correspondente às aspirações da nova era que brotava dos ensinos de Jesus.

Mais tarde, como sempre acontece em Educação, teria de surgir a Pedagogia Cristã, que se dividiria em vários sistemas pedagógicos. Diz Lorenzo Luzuriaga, na sua História da Educação e da Pedagogia, que a Educação Cristã se realizou, nos primeiros tempos, direta e pessoalmente. Era então uma educação sem escolas. (Págs. 45 e 46)

47   Henri Marrou informa que a expressão educação cristã é encontrada nos escritos de São Clemente de Roma, lá pelo ano 96. São Paulo, antes dele, já se preocupara em aconselhar os pais sobre a maneira de educar os filhos.

Foi, porém, por volta de 179 que o filósofo grego Pantenus, convertido ao Cristianismo, fundou em Alexandria a primeira escola de catequistas. Os didáscalos, catequizadores sem preparo, iam ser substituídos por professores formados em curso especial. (Págs.46 e 47)
























A pedagogia cristã

48   A Pedagogia propriamente dita só aparece depois do desenvolvimento da Educação, porque a Pedagogia é o estudo, a pesquisa, a reflexão sobre o processo educacional.

Cada sistema educacional que surge e se desenvolve sob a pressão das necessidades culturais, vale-se inicialmente de uma orientação pedagógica estranha, até que crie sua própria Pedagogia. Cada nova Educação não é a negação da anterior, mas o seu desenvolvimento. (Pág. 47)

49   O Cristianismo apresenta-se, ainda hoje, sobrecarregado de heranças pagãs e judaicas, e essas heranças pesaram também no desenvolvimento da Educação Cristã. Mas, na era patrística, entre os séculos III e IV, elas vão servir para a elaboração da Pedagogia Cristã.

Clemente de Alexandria, autor de O Pedagogo, primeiro tratado pedagógico do Cristianismo, era formado em Filosofia grega. Seu discípulo e continuador, Orígenes, autor da Suma Teológica Metafísica, teve a mesma origem cultural e considerava a Filosofia como o preâmbulo da Religião. (Págs. 47 e 48)

50   Com São Bento a Educação Cristã começa a abrir suas portas para o mundo, saindo do recinto fechado dos mosteiros para aceitar alunos externos.

Mas é com Agostinho, autor de A Cidade de Deus, que a herança platônica se acentua vigorosamente na Pedagogia Cristã, ao mesmo tempo em que os elementos fundamentais da Pedagogia Pagã são adaptados à Escola Cristã e nela integrados: as artes liberais, a retórica, a eloquência e a  cultura física. (Pág. 48)

51   O episódio ocorrido no ano 362 com Juliano, o imperador apóstata que proibiu os professores cristãos de lecionar nas escolas imperiais, é sintomático. Juliano tinha razão.

Como podiam os professores cristãos ensinar na escola pagã sem trair seus princípios, sua fé e, ao mesmo tempo, sem trair o paganismo? E como poderiam os alunos cristãos aceitar o ensino pagão sem renunciar à sua própria formação cristã iniciada no lar?

Estamos hoje, como os cristãos do século IV, perante um dilema semelhante e é por isso, evidentemente, que assistimos ao nascimento da Educação Espírita. (Págs. 48 e 49)

 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Lei e Vida

Lei e Vida
 
 
"Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, vim para cumprir” 
JESUS. (Mateus, 5:17.). 
 
 
 
"Não matarás", diz a lei. 

*  *  *

O texto não se refere, porém, unicamente, à vida dos semelhantes.

*  *  *

Não frustrarás a tarefa dos outros, porque a suponhas inadequada, de vez que toda tarefa 
promove quem a executa, sempre que nobremente cumprida.

*  *  *

Não dilapidarás a esperança de ninguém, porquanto a felicidade, no fundo, não é a mesma 
na experiência de cada um.

*  *  *

Não destruirás a coragem daqueles que sonham ou trabalham em teu caminho, 
considerando que, de criatura para criatura, difere a face do êxito.

*  *  *

Não aniquilarás com inutilidades o tempo de teus irmãos, porque toda hora é agente 
sagrado nos valores da Criação.

*  *  *

Não extinguirás a afeição na alma alheia, porquanto ignoramos, todos nós, com que 
instrumento de amor a Sabedoria Divina pretende mover os corações que nos partilham a 
marcha.

*  *  *

Não exterminarás a fé no espírito dos companheiros que renteiam contigo, observando-se 
que as estradas para Deus obedecem a estruturas e direções que variam ao infinito.

*  *  *

Reflitamos no bem do próximo, respeitando-lhe a forma e a vida. A lei não traça 
especificações ou condições dentro do assunto; preceitua, simplesmente: "não matarás".


Mensagem retirada do livro Ceifa de Luz, Cap. 25, psicografia de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel. 

Reencarnação e Consciência





Reencarnação e Consciência






 A conquista lúcida da consciência abre espaços para o entendimento das leis que regem a vida, facultando o progresso do ser, que se entrega à tarefa de educação pessoal e, por consequência, da sociedade na qual se encontra situado.

Não mais lhe atendem as aspirações os conceitos utópicos e as afirmações pueris destituídas de razão, com os quais no passado se anestesiava o discernimento dos indivíduos e das massas.

Com ela a ideia de Deus e da sua justiça evolui, arrancando-o do antropomorfismo a que esteve algemado pela ignorância, para uma realidade mais consentânea com a própria grandeza.

Os velhos tabus, como efeito, cedem lugar aos fatos que podem ser considerados e examinados pela investigação, produzindo amplas percepções de conteúdos que enriquecem a compreensão.

O crescimento interior elucida a justiça, que já não se aferra aos limites das paixões humanas que a padronizaram conforme os próprios interesses, agraciando uns e punindo outros, em lamentável aberração ética e de equanimidade discutível, senão absurda.

A consciência conquistada favorece a penetração nas causas da vida mediante os processos de intuição, de dedução, e de análise decorrente da experiência vívida dos fatores que constituem o Universo.

Engrandecem-se o homem e a mulher que se despojam do temor ou da incredulidade, do beatismo ou da negação, assumindo uma postura digna, portanto coerente com seu estado da evolução.

Somente a consciência favorece a perfeita identificação com a realidade das vidas sucessivas, concepção-lei única a corresponder à grandeza da vida.

Sem a consciência, a inteligência lógica e crê, mas não se submete; a emoção aceita, porém, receia os impositivos do estatuto da evolução, no qual está o mecanismo reencarnacionista.

A consciência abre as comportas da inteligência e do sentimento para a natural aceitação das experiências sucessivas e inevitáveis, que promovem a criatura.

A reencarnação é instrumento do progresso do ser espiritual. Ora ele expia, quando são graves os seus delitos, submetendo-se às aflições que constituem disciplinas educativas mediante as quais se fixam nos painéis profundos da consciência os deveres a cumprir.

Noutras vezes são provações que enrijecem as fibras morais responsáveis pela ação dignificadora.

Longe de ser uma punição, a dádiva do renascimento corporal é bênção do amor, auxiliando o espírito a desenvolver os recursos que lhe jazem latentes, qual terra arroteada e adubada em condições de transformar a semente diminuta no vegetal exuberante que nela dorme.

Diante dessa realidade, amplia a tua consciência pela meditação e age com segurança ética, entregando-te ao compromisso de iluminação desde agora.

Nunca postergues os deveres a pretexto de que terás futuras oportunidades. A tua consciência dirá que hoje e aqui estão o momento e o lugar para a construção do teu ser espiritual, que se deve elevar, libertando-te dos atavismos primitivos e das paixões perturbadoras.

A consciência da reencarnação impulsionar-te-á ao progresso através do amor e do bem sem alternativas de fracasso, porque a luz da felicidade brilhando à frente será o estimulo para que alcances a meta.

Sem a reencarnação a vida inteligente retornaria, ao caos, e a lógica do progresso ficaria reduzida à estupidez, à ignorância.

A consciência da reencarnação explica Sócrates e o homem bárbaro do seu tempo, Gandhi e o selvagem da atualidade, a civilização e o primitivismo nesta mesma época.

Lentamente o ser avança, e, de etapa em etapa adquire experiência, conhecimento, sentimento, sabedoria, consciência.

Em O Livro dos Espíritos, na questão 170 encontramos o seguinte diálogo:

O que fica sendo o espírito depois da sua última reencarnação?
Espírito bem-aventurado; puro espírito. Para esse desiderato final, a consciência das reencarnações é indispensável.







pelo Espírito Joanna de Ângelis
psicografia de Divaldo Pereira Franco,
do livro: Momentos de Consciência.


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O que é o espírito?

O que é o espírito?


Tome o exemplo de uma garrafa de água mineral. Existe a embalagem e o líquido que é água. A garrafa não é o líquido, é apenas o recipiente que o armazena. O essencial desse produto é o seu conteúdo, nesse caso é a água, que dificilmente poderia ser transportada se não fosse a embalagem. Pois bem, nosso espírito é como a água. Nosso corpo físico é como o frasco, ou seja, nosso corpo físico é o veículo de manifestação de nosso espírito, que é nossa consciência divina, imortal.

Precisamos aprender a cuidar com carinho e respeito de nosso corpo físico, porque ele tem um papel fundamental na existência de qualquer pessoa, contudo não é a nossa própria essência.

Nosso espírito é assim. É essa chama divina que habita em nossos corpos e faz nossos corações baterem, nossos olhos brilharem. Quando em equilíbrio, estimulam o sorriso, a amizade, o amor e o carinho. Quando em conflito, mostram a face escura e endurecida de nossas personalidades.

Nosso corpo é um grande companheiro de jornada, mas tem limite, tem prazo de validade. O espírito é o Eu verdadeiro. O corpo é um amigo, entretanto, não é o Verdadeiro Eu. Tornamo-nos o corpo por acostumar-se com ele no período de uma vida. Na verdade, estamos ilusoriamente acreditando que somos o corpo, mas não somos.

O corpo é a casca que tem um propósito, um objetivo: ajudar na nossa missão no período de uma existência.

Cada tipo de corpo ou casca possibilita um tipo de missão. Se alto, se baixo, negro, branco, índio, fraco, forte, cada tipo tem seu objetivo no que tange aos ensinamentos que o espírito precisa ter.

Pense com carinho agora, com amor e respeito ao seu corpo, que é seu amigo, amigo do Eu (que é o espírito, a chama divina que você é em essência). Pois bem, pense com todo respeito do seu coração, que seu corpo físico tem um grande papel na sua tarefa de evoluir. Se é um corpo saudável, se é frágil, tudo tem um fundamento, um propósito. Se você começar a visualizar seu corpo com amor e gratidão já será um grande passo para conseguir compreendê-lo e contar com a sua ajuda nessa caminhada evolutiva, porque assim vocês (corpo e espírito) estarão caminhando na mesma direção. O corpo físico manifesta a nossa missão pessoal.

Olhe profundamente para seu corpo (com ótica do seu espírito) e perceba tudo que ele revela sobre a sua personalidade, sobre seus aprendizados. Isso porque você tem exatamente o corpo que seu espírito necessita. Ame-o, mas nunca se esqueça que ele tem prazo de validade, contudo, o espírito é imperecível.

Por que nascemos?

Nascemos com um propósito: evoluir.

Evoluir, nesse contexto, significa lapidarmos nossa personalidade, que na prática quer dizer: menos mágoas, menos tristezas, menos dores e doenças, menos limitações, menos pessimismos, menos egoísmo. Nossa missão é, através das experiências que somente a vida terrena pode nos oferecer, nos transformarmos sempre, evoluindo em nossos aprendizados e agregando mais vibrações positivas que devem ser incutidas em nosso espírito, a exemplo o amor.

Quando nascemos, temos a oportunidade de começar de novo a experiência evolutiva terrena, dando continuidade ao processo de evolução contínua a qual somos inseridos desde sempre. A morte não é o fim e a infância não é o começo. O nascimento de um espírito em um corpo novo não o torna novo. 

O que é o espírito? De onde Veio?

O que é o espírito? De onde Veio?
Vamos tomar por referência algumas questões que fazem parte do "O Livro dos Espíritos", 71ª edição IDE, tradução de Salvador Gentile,1991. A primeira delas é a de número 76, cuja transcrição é:

P.76 - "Que definição se pode dar dos Espíritos?"
- "Pode-se dizer que os Espíritos são os seres inteligentes da Criação. Povoam o Universo fora do mundo material".
O significado de matéria, exposto na questão número 22, do mesmo "O Livro dos Espíritos", conceitua matéria como sendo tudo aquilo que tem extensão, impressiona os sentidos e é impenetrável. Por outro lado, a palavra mundo na questão nº 76 tem o significado, de acordo com o Novo Dicionário Aurélio, da língua portuguesa, de "totalidade das coisas que pertencem a um mesmo domínio, a uma mesma classe". Assim sendo, pode-se inferir que o Espírito, ser inteligente da Criação, povoa o Universo fora do domínio da matéria que é perceptível aos sentidos (olhos, ouvidos, paladar, tato e olfato), ou seja, fora do domínio da matéria densa.

Se o Espírito é o ser inteligente da Criação e nós, humanos, somos inteligentes, ou pelo menos julgamos assim ser, então somos Espíritos. Eu sou Espírito e não eu tenho um Espírito, como prega a teoria dualista de Descartes. Eu existo. Eu me percebo pelos meus sentidos e percebo também o próximo ao meu lado ou suficientemente distante, onde minha acuidade visual pode alcançar. Desta forma, Espírito, perispírito e corpo humano, expressões usadas na Doutrina Espírita, devem formar um todo indivisível, que se une por ocasião da constituição do corpo humano, no processo reencarnatório e se desfaz na hora da morte biótica desse mesmo corpo.

Outra referência de interesse para nosso raciocínio, é a questão 79, de "O Livro dos Espíritos", cuja transcrição é:

P.79 - "Visto que existem dois elementos gerais no Universo - o elemento inteligente e o elemento material - poder-se-á dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente como os corpos inertes são formados do elemento material?"
- "Evidentemente; os Espíritos são individualizações do princípio inteligente, como os corpos são individualizações do princípio material. A época e o modo dessa formação é que são desconhecidos".
Nessa questão, é importante conhecermos bem o significado da palavra elemento que, segundo o Novo Dicionário Aurélio da língua portuguesa expressa "tudo aquilo que entra na composição de alguma coisa".

O nosso Universo surgiu de um estado plano, extremamente organizado, por meio de uma grande explosão, conhecida pelo nome de Big-Bang, concentrando alta temperatura, criando o espaço-tempo. A expansão foi provocando diminuição de temperatura e, atualmente o nosso Universo encontra-se a apenas 3 graus acima do zero absoluto, caminhando para um congelamento irreversível. No nosso Universo só existe energia que, em parte, se transforma em matéria e esta que retoma a forma de energia, num ciclo permanente. Existe, portanto, uma Lei da Física afirmando que irreversivelmente "calor só se propaga de um corpo mais quente para um mais frio".

Como o nosso Universo foi criado a partir de um estado extremamente organizado, porque tudo o que ele foi, é, e será já estava definido no instante do seu nascimento, ele se expande para um estado cada vez mais desorganizado ou caótico. Existe uma quantidade física, chamada entropia, que mede o grau de desordem de um sistema fechado qualquer, inclusive o Universo. Uma afirmação adequada, conhecida pelo nome de Segunda Lei da Termodinâmica estabelece que a entropia de um sistema isolado sempre aumenta com o tempo, isto é, que a desordem aumenta com a expansão do Universo. Mas, se a desordem aumenta à medida que o Universo se expande, então a matéria formada no nosso Universo não pode criar inteligência. É que sendo inteligência a faculdade que nos permite resolver problemas novos, para existir ela depende de um grande banco de dados contendo qualidade e quantidade de informações, extremamente organizado. Mas, se somos humanos inteligentes, Espíritos encarnados, estamos presentes na crosta da Terra, um dos planetas do sistema solar, que por sua vez faz parte da galáxia conhecida por Via Láctea, uma das constituintes do Universo, como podemos existir, se a Segunda Lei da Termodinâmica repudia nossa formação? E, como a questão 79, de "O Livro dos Espíritos" nos ensina que existem no Universo dois elementos, o inteligente e o material, pergunta-se: de onde viemos, se sabemos que nos encontramos aqui? Só podemos ter vindo de outro Universo, já que este não permite sermos criados aqui, como seres inteligentes. Apenas nosso corpo humano, material, pode ser formado no nosso Universo. Mas, então, existem outros Universos?

Podemos responder essa questão de duas maneiras, uma pela dedução lógica e outra pelas leis da Física Quântica. Por meio da primeira, sabemos que nosso Universo possui cerca de 15 bilhões de anos, um número grande, mas perfeitamente finito. Se Deus, o Criador do Universo cria, a todo o instante, de toda a eternidade, o que criou antes e depois desses 15 bilhões de anos? Ou será que Deus passou toda a eternidade imaginando o que iria criar no nosso Universo? E, depois da Criação, ficou apenas observando, extasiado, sua obra? A lógica indica que Deus deve ter criado outros Universos, com espaço-tempo de características diferentes, adequados a formação de inteligência, onde a neguentropia (entropia negativa) crescente favorece o surgimento de seres inteligentes ou Espíritos.

Embora desconhecida por muitos físicos brasileiros, a Mecânica Quântica já tem 100 anos de vida. Seus conceitos extremamente imateriais que descrevem o comportamento do Universo podem parecer absurdos à primeiros vista - e possivelmente podem assim parecer da segunda, terceira e trigésima vista. Apesar disso, é impossível enfatizar suficientemente o notável sucesso prático que ela nos apresenta quando observamos o comportamento dos átomos. E, como tudo o que existe no Universo se assenta no comportamento dos átomos e das partículas elementares, a Mecânica Quântica é a melhor ferramenta que dispomos para a compreensão de "tudo aquilo que entra na composição de alguma coisa", como especifica a questão 79, de "O Livro dos Espíritos", inclusive do elemento inteligente.

Nesse sentido, recomendamos aos incrédulos a leitura da revista "Scientific American - Brasil", ano 2, n° 13, junho de 2003, página 36, Universos Paralelos, onde se especifica que "mais que fantasia da ficção científica, universos alternativos são uma realidade confirmada pela observação astronômica".