
Prefácio de Luiz Antonio Fuchs
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O mistério do ser
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Nesse sentido, o verdadeiro educador é o que pratica a Religião verdadeira do amor ao próximo. O ato de educar é essencialmente religioso. Não é apenas um ato de amor individual, do mestre para o discípulo, mas também um ato de integração e salvação.
A Educação não procura integrar o ser em desenvolvimento numa dada situação social ou cultural, mas na condição humana, salvando-o dos condicionamentos animais da espécie, elevando-o ao plano superior do espírito. (Págs. 1 e 2)
Pela educação integral
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Toda forma de cultura exige meios de transmissão. O meio básico de transmissão cultural é a educação. Era inevitável, pois, com o advento do Espiritismo, o aparecimento da Educação Espírita, que foi se delineando aos poucos, à maneira da Educação Cristã: primeiro no lar, depois nas instituições em forma de catecismo e por fim na criação das primeiras escolas. (Págs. 5 e 6)
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Ligada historicamente à linha rousseauniana da Educação Moderna, através de Pestalozzi, de quem Kardec foi discípulo e continuador, a Educação Espírita se entrosa naturalmente nas aspirações e nos objetivos da Pedagogia contemporânea. [Pág. 8]
E a quem melhor despertar, senão às crianças?
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Ora, negar às crianças o direito à educação cristã, através da evangelização, seria sonegar-lhes o quinhão que lhes cabe na herança cultural. Sem o processo da educação, o ato de amor de Kerchensteiner e Hubert, não despertaremos para a nova orientação que devemos seguir na nova encarnação, na nova experiência existencial. Sem o impacto da educação, a cultura do passado não renascerá em nós em seu novo desenvolvimento. (Págs. 11 e 12)
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Condições da criança
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Por isso, a evangelização da criança não pode ser encarada como ato de imposição ou de violência. Nenhuma aula de evangelização espírita impõe dogmas de fé nem pretende realizar a internalização dos princípios espíritas. Sua finalidade é o contrário: despertar na criança as suas forças interiores e fazê-las aflorar no plano da consciência.
O que se pode é enriquecer essas aulas com as contribuições do Método Montessori, criando um ambiente estimulante e juntando às historietas outros elementos sensoriais, de acordo com as faixas etárias dos alunos. Os trabalhos de Maria Montessori e sua teoria educacional correspondem em grande parte às aspirações e objetivos da evangelização espírita das crianças. (Pág. 14)
Educação no lar
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A orientação moral não é uma preparação filosófica, mas um processo de integração das novas gerações em determinado sistema de vida, a fim de que possam beneficiar-se com as experiências e conquistas das gerações anteriores. (Págs. 15 e 16)
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Tais pessoas se esquecem de que seus filhos necessitam de orientação espiritual e que essa orientação será tanto mais eficiente quanto mais cedo lhes for dada. É preciso não esquecer que as crianças são espíritos reencarnados, espíritos adultos que se vestem “com a roupagem da inocência” para iniciarem uma vida nova. (Págs. 16 e 17)
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As crianças já trazem consigo o germe desses conhecimentos e estão mais próximas do mundo espiritual que os adultos. O maior patrimônio que os pais podem legar aos filhos é o conhecimento de uma doutrina que vai garantir-lhes a tranqüilidade e a orientação certa no futuro. (Pág. 17)
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Educação e regeneração
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Cumprindo um dos seus objetivos, o Espiritismo de massas exige educação massiva, porque a missão do Espiritismo não é esclarecer alguns indivíduos em meio às multidões, mas esclarecer as multidões, alargar o conhecimento humano, colocar os homens diante da realidade integral da vida, para regenerá-los. (Pág. 19)
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De outro, uma influência educacional remodelando os postulados pedagógicos no sentido geral. Não podemos pretender que todas as nações se tornem espíritas, o que seria uma utopia e um contra-senso; por isso não tenhamos a ilusão de que a Educação Espírita absorverá e englobará numa só todas as formas pedagógicas existentes. Essa intenção seria contrária à concepção espírita.(Págs. 20 e 21)
As dimensões da educação
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Quando, porém, o pensamento crítico se desenvolveu, a ponto de atingir a própria substância da fé, retirando ao homem a base de suas certezas tradicionais, surgiu a problemática da educação. (Pág. 25)
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Da educação primitiva – como simples forma de integração – passamos às formas religiosas e cívicas, como processos de domesticação, para atingirmos os conceitos clássico e moderno de formação cultural, em que as condições de imanência social são finalmente rompidas pelo impulso de transcendência espiritual. (Págs. 26 e 27)
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As dimensões do homem
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A primeira dimensão é a do horizonte tribal, que o autor define servindo-se da teoria do corpo mágico ou corpo-sagrado do ensaísta austríaco Rudolf Kessner, em que o homem primitivo aparece como simples parcela de um todo fechado em si mesmo;
A segunda dimensão é a do horizonte civilizado, em que surge o indivíduo urbano que se torna cidadão; a terceira dimensão é a do transcendente, em que o homem se torna cristão, integrando-se nos princípios espirituais da civilização. (Pág. 29)
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A relação dialética com o transcendente, religando o indivíduo como vocação divina à comunidade, como amor do próximo. Esse homem, melhor liberado que o indivíduo grego, melhor entrosado que o cidadão romano, mais livre pela fé mesma que o entrosa, é o arquétipo do Ocidente que nasce, é a pessoa. (Págs. 29 e 30)
Educação e Filosofia
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No prefácio de seu livro, Hubert reproduz a crítica que Paul Desjardins havia feito aos reformadores da educação, aos formuladores da escola pensada à francesa. O centro, de que tudo parte e que não foi assinalado com suficiente ênfase em nenhum lugar, diz Hubert, é o homem: “a escola pensada à francesa é a que se dedica a ensinar e fazer nascer o Homem”. (Pág. 32)
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Educação e religião
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Desde então surgiu o conflito Ciência versus Religião. Os homens cultos e os espíritos fortes opuseram-se ao ensino da Religião nas escolas por considerá-lo determinante de retrocessos culturais. O laicismo tinha por finalidade garantir uma educação liberta de superstições e preconceitos que as religiões semeavam e estimulavam nos educandos.
A separação entre Ciência e Religião foi então oficializada no plano cultural. Se o homem só podia conhecer através da Ciência pelo uso da Razão, não havia motivo algum que justificasse nas escolas a disciplina religiosa. A escola se tornava instrumento da Ciência. A Religião devia, pois, restringir-se ao âmbito familial e ser ministrada nas igrejas. (Págs. 36 e 37)
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A Filosofia, por sua vez, está francamente de volta às suas raízes espiritualistas. A situação atual revela-se, assim, favorável à solução do impasse educacional criado pelo fanatismo religioso, pois, científica e filosoficamente, já se reconhece que a Religião é uma das províncias principais do conhecimento. (Págs. 38 e 39)
Religião nas escolas
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Não é o padre, nem o pastor, nem o rabi, nem a catequista que vão dirigir a cadeira, mas o professor especializado no assunto, tratando dos problemas religiosos como se trata dos filosóficos e científicos. (Págs. 41 e 42)
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Ela não seria religiosa no sentido estreito do sectarismo hoje dominante, visto que, às portas de uma civilização espiritualista, não podemos continuar educando as crianças e os jovens nos moldes obsoletos do passado. Educação sem religião é atualmente absurda, como absurda é a educação materialista que continuamos a aplicar. (Pág. 43)
Nascimento da educação cristã
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Mais tarde, como sempre acontece em Educação, teria de surgir a Pedagogia Cristã, que se dividiria em vários sistemas pedagógicos. Diz Lorenzo Luzuriaga, na sua História da Educação e da Pedagogia, que a Educação Cristã se realizou, nos primeiros tempos, direta e pessoalmente. Era então uma educação sem escolas. (Págs. 45 e 46)
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Foi, porém, por volta de 179 que o filósofo grego Pantenus, convertido ao Cristianismo, fundou em Alexandria a primeira escola de catequistas. Os didáscalos, catequizadores sem preparo, iam ser substituídos por professores formados em curso especial. (Págs.46 e 47)
A pedagogia cristã
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Cada sistema educacional que surge e se desenvolve sob a pressão das necessidades culturais, vale-se inicialmente de uma orientação pedagógica estranha, até que crie sua própria Pedagogia. Cada nova Educação não é a negação da anterior, mas o seu desenvolvimento. (Pág. 47)
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Clemente de Alexandria, autor de O Pedagogo, primeiro tratado pedagógico do Cristianismo, era formado em Filosofia grega. Seu discípulo e continuador, Orígenes, autor da Suma Teológica Metafísica, teve a mesma origem cultural e considerava a Filosofia como o preâmbulo da Religião. (Págs. 47 e 48)
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Mas é com Agostinho, autor de A Cidade de Deus, que a herança platônica se acentua vigorosamente na Pedagogia Cristã, ao mesmo tempo em que os elementos fundamentais da Pedagogia Pagã são adaptados à Escola Cristã e nela integrados: as artes liberais, a retórica, a eloquência e a cultura física. (Pág. 48)
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Como podiam os professores cristãos ensinar na escola pagã sem trair seus princípios, sua fé e, ao mesmo tempo, sem trair o paganismo? E como poderiam os alunos cristãos aceitar o ensino pagão sem renunciar à sua própria formação cristã iniciada no lar?
Estamos hoje, como os cristãos do século IV, perante um dilema semelhante e é por isso, evidentemente, que assistimos ao nascimento da Educação Espírita. (Págs. 48 e 49)
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