quinta-feira, 5 de junho de 2014

EM LOUVOR AO IRMÃO SOL




Joanna de Ângelis

Quando chegaste à Terra, a noite medieval espalhava o terror, mantendo a ignorância em predomínio de que se locupletavam os poderosos para esmagar os camponeses e os citadinos pobres.

Havia superstição e medo em toda parte, caminhando a humanidade sob o estigma do pecado e do vício que eram punidos com impiedade.

Tu chegaste e apresentaste a Verdade, que nunca mais deixou de iluminar a sociedade.

Existiam a perversidade sem disfarce e a discriminação de todo tipo, havendo-se tornado o homem o lobo do homem, assim ficando desprezível.

Na sua simplicidade santa cantaste o hino de louvor a todas as criaturas, chamando-as docemente de irmãs.

Permanecia epidêmico o ódio, que espalhava o bafio pestilento das guerras intérminas, deixando os campos juncados de cadáveres que apodreciam a céu aberto...

Tua voz, suave e meiga, entoou, então, o canto da paz, e te fizeste o símbolo da verdadeira fraternidade que um dia se estenderá por toda a Terra.

As epidemias dizimavam os seres humanos, reduzidos a hilotas do destino insano, dentro da terrível fatalidade do sofrimento sem termo.

A fé religiosa com a sua pompa extravagante amparava-se nos fortes e os ajudava a perseguir e malsinar os fracos, mas tu tiveste a coragem de despir-te das sedas e brocados do teu pai, desnudando-te, para nascer novamente dedicando-te,a partir daquele momento, aos leprosos de Rivotoro...

No início do teu ministério, quando se aproximaram os primeiros servidores do Amor, riscaste no chão uma cruz e enviaste-os aos quatro pontos cardeais do mundo, para que todos conhecessem o Sol  de Primeira Grandeza. Enquanto Ele os houvera enviado dois a dois, tiveste a coragem de os encaminhar a sós, porque sabias que Ele seria o companheiro inseparável daqueles abençoados heróis do amor em todos os seus momentos.

Num período em que a fé religiosa inspirava pavor, aqueles que se consideravam representantes de Deus no mundo, distanciando-se cada vez mais das ovelhas que deveriam pastorear, tomaste a vestimenta de ovelha branda e reuniste aquelas desgarradas, formando um novo rebanho...

Nos teus dias, e mesmo um pouco depois, ninguém te resistia a presença, a voz, a vibração de inefável amor...

Nem mesmo o lobo feroz de Gúbio ou as andorinhas gárrulas, que te perturbavam a canção de amor, quando cantavas aos ouvidos atentos dos sofredores no altar da Natureza, fazendo-as calar-se.

No forte verão, quando tinhas a vista queimada pelo ferro em brasa e estavas ao ar livre, percebeste  pelo zumbido das abelhas, que lhes faltavam pólen e flores para fabricar mel. Não trepidaste em solicitar à tua irmã Clara que providenciasse do monastério o alimento para aquelas irmãzinhas laboriosas...

Quem se atreveu a comportar-se dessa forma, depois dEle, a quem tanto amaste, a ponto de imitá-lO em todos os teus momentos, a partir do instante em que Ele te chamou para a reedificação da Sua Igreja moral que estava em escombros?

Oh! Irmão Cantor dos desesperados e esquecidos!

O mundo moderno, rico de glórias ligeiras e pobre de sentimentos, orgulhoso das suas conquistas rápidas, mas que não nota a imensa aflição em que estorcegam as multidões famintas e excluídas da sua sociedade, vivendo uma insuperável noite de horror e de incertezas, necessita de ti com muita urgência.

Nunca houve tanta carência de amor quanto agora, por isso, o teu canto virá diminuir a angústia que se transformou em patética afligente na Terra sofredora.

Há, sem dúvida, grandezas que defluem da ciência e da tecnologia, mas a solidão, a ansiedade, o medo e as incertezas, todos eles filhos do materialismo insensível produzem o vazio existencial, os transtornos psicológicos graves, as doenças psicossomáticas, a loucura pelas drogas, pelo alcoolismo, pelo tabaco, pelo sexo desvairado, levando suas vítimas à fuga pelo suicídio injustificável.

Volta, Irmão Francisco, para novamente reunir as tuas criaturas, todas elas à tua volta como fizeste naqueles dias já recuados, conduzindo-as a Jesus.

Novamente convoca os teus irmãos Leão, Rufino, Chapéu, assim como aqueles outros que contigo construíram o mundo que te escuta há oitocentos anos, mas não tem coragem hoje de seguir-te os passos.

Quantos te abandonaram após a tua volta ao Grande Lar?!

Ainda escutamos o silêncio da deserção deles na turbulência das atrações de onde haviam saído e para aonde retornaram com avidez...

Eles estão novamente, na Terra, aturdidos, saudosos, aguardando a tua voz que conhecem e não conseguem esquecer.

A tua Assis querida agora está ampliada além das muralhas em que se resguardava, e a sociedade em agonia deseja pertencer-lhe à cidadania.

Há música no ar, silêncio nos corações e lágrimas nos olhos de quase todas as criaturas destes dias de inquietações e de incertezas.

Em decorrência, há uma grande expectação denunciando a espera...

Volta, por favor, Irmão Alegria, a fim de que a tristeza do desamor bata em retirada e uma primavera de bênçãos tome conta de tudo.

O céu azul que te agasalhou e os campos verdes com lavanda perfumada que os teus pés feridos pisavam, continuam aguardando-te.

Há multidões que te vêm louvar, bulhentas e festivas, mas indiferentes ao teu chamado, sem valor para te seguir.

Canta, então, novamente, a tua oração simples, com que nos brindaste naqueles dias inesquecíveis, e onde houver desespero faze que se manifestem a paz e a esperança, e ante a ameaça da morte iminente, o ser ressurja em júbilos ante as certezas da ressurreição, porque é morrendo que se vive para sempre.

Irmão Sol, a grande noite moral da atualidade te aguarda ansiosa!

Joanna de Ângelis
Psicografia do  médium Divaldo P. Franco

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Transição planetária: As horas difíceis


As horas difíceis se multiplicam a cada dia, no horizonte das criaturas que dormem.
Quando aconselhou ao homem convocado ao anúncio do Reino de Deus que deixasse aos mortos que lhe sepultassem o corpo do seu pai falecido, Jesus concitava-nos ao pensamento claro sobre a condição de mortos-vivos apresentada pela imensa maioria dos irmãos que estão ocupando corpos carnais neste momento, na Terra.

Não dispostos a despertar ao som dos clarins generosos que convocam o idealismo ao serviço do Bem, os mortos-vivos estarão sendo chamados à vida, à consciência, à lucidez por meios diversos, mas igualmente dolorosos.
A falta de base firme, de alicerce na rocha, no entanto fará com que esses imaturos seres, frequentadores de religiões e cerimônias, não saibam como agir diante das agonias que terão de enfrentar.
Por esse motivo, queridos filhos, é que estamos aqui. É necessário estarmos alertas e vigilantes para que as angústias alheias não sejam assumidas como angústias próprias. São convocados a servir como enfermeiros junto à chusma dos doentes, lembrando-se de que precisam manter o cuidado para não se contaminarem com a epidemia.
E entre os homens haverá de se alastrar a do medo, a da revolta, a da agressividade à medida que a dor assumir a tarefa de produzir despertamento por atacado.
Não serão, apenas, as crises financeiras que irão toldar com seu manto de preocupações e angústias a alma dos indiferentes. Multiplicar-se-ão as enfermidades físicas, os acidentes geológicos e atmosféricos, as conflagrações sociais, de forma que a todos estará sendo avaliada a reação diante dos desafios diversos.
Serão bem-aventurados se guardarem a serenidade nas horas difíceis e, sem desespero nem entorpecimento, empenharem-se na obra da Esperança, sinalizando o caminho aos perdidos da rota.
Suas exemplificações serão tesouro no meio da tempestade e, graças a elas, os que possuam algum entendimento poderão encontrar forças para não desabarem na angústia coletiva nem tresloucarem-se em condutas desesperadas.
Dos dois lados da vida se realiza a grande transformação, já em andamento desde muitos anos, mas que se acelera nestes tempos, porquanto é necessário que todas as coisas sejam concretizadas.
Este aviso se destina a suas vidas pessoais, igualmente, porque em seus lares também repercutirão as mazelas que recairão sobre todos. Nada de privilégios especiais ou proteções injustificáveis, notadamente para aqueles que já sabem como se proteger.
Não seria lógico que se cuidasse mais do enfermeiro -que já se qualificou pelo aprendizado da enfermagem – do que do doente que nada conhece.
É como enfermeiros que estão habilitados na Escola da Vida todos aqueles que, como vocês, participam dos banquetes da Verdade do Espírito. Por isso, saberão velar pela dor alheia sem se olvidarem da higiene espiritual que os protegerá, da assepsia de pensamentos e sentimentos, da esterilização das palavras e atitudes para matar todos os germes que os contaminem com o mal.
Quando Noé aceitou construir a arca para salvar do afogamento os que nela quisessem entrar, assumiu para si próprio um imenso e extenuante trabalho. No entanto, graças ao devotado ancião, conseguiu ele próprio e sua família encontrarem a proteção e a segurança que os demais não quiseram, quando chegou o momento áspero da tormenta fatal.
Assim são os convidados do Senhor. Os próprios trabalhadores da última hora não estão livres do suor, do cansaço, do desgaste e dos testemunhos da fé.
No entanto, chegará o momento da serenidade se tiverem honrado com empenho a Obra de Deus.
Encarnados e desencarnados já estão sendo separados segundo suas vibrações específicas a fim de que a atmosfera humana não fique à mercê dos ataques da vasta horda da ignorância que se opõe aos nobres princípios representados pelo Cordeiro de Deus.
Esforcem-se por entrar pela porta estreita e não descansem até que o consigam. Do lado de fora, posso lhes afirmai; já há prantos e ranger de dentes.
Que a paz de Jesus vos abasteça em todos os momentos da vida, sobretudo na hora difícil dos testemunhos que são o prenúncio da Alvorada da Esperança.
Livro Herdeiros do Novo Mundo, cap. 1, Espírito Lúcius – psicografia de André Luiz Ruiz.

O PRÓXIMO

O  PRÓXIMO

O próximo, em cada minuto, é aquele coração que se acha mais próximo do nosso, por divina sugestão de amor no caminho da vida. No lar, é a esposa e o esposo, os pais e os filhos, os parentes e os hóspedes. No templo do trabalho comum, é o chefe e o subordinado, o cooperador e o companheiro. Na via pública, é o irmão ou o amigo anônimo que nos partilham a mesma estrada e o mesmo clima. Na esfera social, é a criança e o doente, o desesperado e o triste, as afeições e os laços da solidariedade comum. Na luta contundente do esforço humano, é o adversário e o colaborador, o inimigo declarado ou oculto ou, ainda, o associado de ideais que nos surgem por instrutores. Em toda parte, encontrarás o próximo, buscando-te a capacidade de entender e de ajudar. Auxilia aos outros com aquilo que possuas de melhor. Os santos e os heróis ainda não residem na Terra. Somos espíritos humanos, mistos de luz e sombra, amor e egoísmo, inteligência e ignorância. Cada homem, na fase evolutiva em que nos encontramos, traz uma auréola incompleta de rei e uma espada de tirano. Se chamas o fidalgo, encontrarás um servidor. Se procuras o guerreiro, terás um inimigo feroz pela frente. Por isso mesmo, reafirmou Jesus o antigo ensinamento da Lei: - “ama o próximo, como a ti mesmo”. É que o espírito, quando ama verdadeiramente, encontra mil meios de auxiliar, a cada instante, e o próximo, na essência, é o degrau que nos aparece diante do coração, por abençoado caminho de acesso à Vida Celestial.

Assim Vencerás – Emmanuel / Chico Xavier

POR QUE OS PROBLEMAS SE REPETEM NA MINHA VIDA?


POR QUE OS PROBLEMAS SE REPETEM NA MINHA VIDA?



Observe como problemas semelhantes tendem a se repetir nas nossas vidas. Conheço uma pessoa que já abriu várias firmas. Em todas se repetiu a mesma história: inconstância financeira, muitas dívidas com os fornecedores e falência. Nas primeiras firmas que ele abriu, culpou os sócios pelo insucesso. Ele dizia que fazia sua parte mas os sócios eram incompetentes. Só que na última firma não teve sócio. O resultado foi o mesmo: dívidas. Agora é possível que ele diga que isso aconteceu porque ele não teve um sócio. 
Tem a mãe de um amigo meu que desde que eu tenho 10 anos de idade eu ouço dizer que ela vive pendurada em empréstimos bancários. Já estou com quase 35 anos e a situação dela ainda é a mesma. Conheço uma mulher que é sempre abandonada pelos namorados. Tem outra que nem chega a namorar pois quando está iniciando algum relacionamento  o rapaz simplesmente desaparece. Ela diz que acha que faz tudo certo e não consegue entender porque isso ocorre.
Uma amiga minha está sempre em conflito com vizinhos. Ela se muda de prédio e tem conflito no novo prédio, se muda de novo e o mesmo se repete. Ela sempre acha que a culpa é das pessoas que arranjam muita confusão. Tem uma outra que vive sendo explorada por todo mundo. Ela vive se queixando dizendo que isso acontece porque as pessoas são invasivas, entronas, sacanas, caras de pau, desonestas. Na visão dela,  boa parte das pessoas são assim. Um colega é sempre traído pelas namoradas que arranja. Ele diz que isso acontece porque não tem mais mulher que preste. Tem mulheres que sempre se envolvem com homens que bebem muito. De repente, a mulher acaba um relacionamento, começam um novo com um homem que bebe pouco, só que ele passa a beber muito ao longo do tempo.
Recentemente recebi este email de uma leitora:
"Gostaria de saber se você pode me esclarecer e também me ajudar a resolver esse  caso. Bem começa assim, em todos os lugares que começo a trabalhar os 3 primeiros meses são maravilhosos, faço tudo certinho e todas as pessoas gostam de mim e  os chefes gostam do meu trabalho. Depois desse tempo, sempre aparece uma pessoa e envenena  tudo que construí:  amigos chefes. Aí, tudo desanda, e acabo sendo despedida. As pessoas começam a me olhar de  lado  o meu trabalho não anda, parece que tudo que faço não presta e ninguém gosta, começam as conversinhas pelas minhas costas, fofocas e  disse-me- disse. Agora mesmo estou saindo de uma empresa que gosto muito de trabalhar porque a minha coordenadora  não me quer mais na equipe, como não tem outra posição fui demitida. Estou muito triste e frustrada, não sei como resolver isso. Será que você pode me ajudar? Pelo amor de Deus. Não sei o que fazer".
Tudo tem solução. Eu começaria aplicando *EFT (técnica para auto-limpeza emocional, veja como receber um manual gratuito no final do artigo) para dissolver os sentimentos de tristeza e frustração por não entender o que se passa, pois isso já traz alívio, confiança e insights.
Ao passarmos por essas situações, nossa tendência é sempre buscar culpados no exterior: as pessoas são injustas, os homens não prestam, as mulheres são safadas, é azar, todo mundo é encrenqueiro...
Coincidentemente, eu estava atendendo uma mulher com um problema bem semelhante ao da moça que me escreveu o email. Ela também não entendia porque aquilo se repetia em sua vida. Um caso como esse normalmente tem como pano de fundo vários eventos que a pessoa viveu de injustiça, rejeição e outros sentimentos que muitas vezes  vem lá da infância. Como é que eu sei disso? É que a experiência em consultório mostra que um sentimento intenso no presente é a repetição de algo de um passado mais distante. E quando começo a investigar a vida da pessoa, normalmente encontro vários eventos que tiveram sentimentos parecidos. Esses eventos podem ou não ser semelhantes entre si, mas em comum eles tem emoções  que são sempre bem parecidas.
O que acontece é que os sentimentos negativos ficam guardados dentro de nós e de forma inconsciente vamos procurar alimentá-los. A própria emoção negativa toma conta das nossas ações e nos faz tomar atitudes (ou deixar de tomar) para que entremos em situações que vão gerar mais ainda do sentimento negativo. É extremamente sabotador. Você segue permitindo uma coisa aqui, vai deixando de ver outra ali, vai se comportando de uma forma que você não sabe que leva a problemas, e quando menos espera, está criada a repetição de uma situação.
No caso da minha cliente, a primeira coisa que fiz foi aplicar EFT para limpar o sentimento de injustiça que ela carregava de vários eventos. Por que isso é importante? Pelo que eu já expliquei anteriormente. Cada sentimento guardado vai buscar se alimentar através de você criando mais situações que geram mais do mesmo sentimento. Esse processo se dá de duas formas. Você inconscientemente fala, age e pensa e chega  a distorcer e interpretar fatos de modo a criar a situação negativa, e o universo pela lei da atração ajuda a criar os cenários  atraindo comportamento negativos das pessoas e situações propícias. Ou seja, a raiva guardada atrai mais situações de raiva, o sentimento de escassez interior atrai dificuldades financeiras, o sentimento de injustiça atrai mais situações de injustiça.
Ao limpar a sensação de injustiça da cliente, foi como se um véu que turvava sua visão fosse retirado e ela começou a ver com mais clareza as coisas que ela fazia e atitudes que deixava de tomar (por medo) que acabavam gerando sempre a situação. Por isso é que super importante limpar as emoções negativas. O trabalho com a EFT consiste basicamente nisso e traz grandes insights e mudanças de comportamento, e conseqüente mudança na realidade.
          
Cada vez que um determinado tipo de problema está se repetindo, é um sinal muito forte de que existem sentimentos negativos, crenças e pensamentos que você vem guardando há tempos que estão levando você a criar aquilo tudo inconscientemente. Por mais que pareça ser culpa dos outros ou azar, a razão está sempre no seu interior. Você pode se perguntar:  Que tipo de problema está se repetindo em minha vida? Que sentimentos guardados, quais situações mal resolvidas do passado podem estar contribuindo para a repetição desses problemas?
É essa investigação que faço no consultório. A lista de coisas que pode surgir pode ser grande e variada. Faça auto-aplicação de EFT para dissolver toda a negatividade que você descobriu e  verá que as situações deixarão de se repetir.


O QUE É A DEPRESSÃO?




Perguntaram a Osho:
Amado Osho, 
Antigamente se chamava melancolia; hoje se chama depressão e é considerada um dos maiores problemas psicológicos dos países desenvolvidos. Ela é descrita como uma sensação de desespero ou um estado sem esperança, uma perda de auto-estima sem nenhum entusiasmo ou interesse pelo ambiente. Em adição, existem sintomas físicos de falta de apetite, falta de sono e uma perda da energia sexual. Os tratamentos com eletrochoque foram largamente abandonados hoje em dia e as drogas e a terapia verbal parecem ser igualmente efetivas - ou não efetivas. Explicações para a depressão têm variado do químico para o psicológico.
O que é a depressão? É uma reação a um mundo depressivo, um tipo de hibernação durante 'o inverno de nosso descontentamento'? É a depressão somente uma reação à repressão - ou opressão - ou é apenas uma forma de auto-repressão?


O homem sempre viveu com esperança, um futuro, um paraíso em algum lugar distante. Ele nunca viveu no presente - sua era de ouro ainda está por vir. Isto o manteve entusiasmado porque grandes coisas iam acontecer; todos os seus desejos iam ser preenchidos. Havia grande prazer na antecipação. Ele sofria no presente; ele era miserável no presente. Mas tudo isto era completamente esquecido nos sonhos que iam ser preenchidos no amanhã. O amanhã sempre foi doador de vida.Mas a situação mudou. A velha situação não era boa porque o amanhã - que preencheria os sonhos dele - nunca se tornou verdade. Ele morreu esperando. Mesmo em sua morte ele estava esperando por uma vida futura - mas ele verdadeiramente nunca experimentou nenhuma alegria, nenhum significado. Mas isto era tolerável. Era somente uma questão de hoje; ela irá passar e o amanhã é certo que vai chegar.

Os profetas religiosos, messias, salvadores estavam lhe prometendo todos os prazeres - que são condenados aqui - no paraíso. Os líderes políticos, os ideólogos sociais, os utopistas estavam lhe prometendo a mesma coisa - não no paraíso mas aqui na terra -
 em algum momento distante no futuro, quando a sociedade passar por uma revolução total e não houver mais pobreza, nem classes, nem governo e o homem for absolutamente livre e tiver tudo o que ele precisa.

Ambos estão basicamente preenchendo a mesma necessidade psicológica. Para aqueles que eram materialistas, as utopias ideológicas, políticas, sociológicas eram atraentes; para aqueles que não eram tão materialistas, os líderes religiosos atraíam. Mas o objeto de atração era exatamente o mesmo: tudo o que você pode imaginar, pode sonhar, pode desejar, será totalmente preenchido. 
Com estes sonhos, as misérias do presente parecem ser muito pequenas.

Havia entusiasmo no mundo; as pessoas não estavam deprimidas. A depressão é um fenômeno contemporâneo e 
ela aconteceu porque agora não existe amanhã. Todas as ideologias políticas falharam. Não existe nenhuma possibilidade de que o homem seja mesmo igual, nenhuma possibilidade de que haja um tempo onde não exista governo, nenhuma possibilidade de que todos os sonhos sejam preenchidos.

Isso veio como um grande choque. Simultaneamente o homem se tomou mais maduro. Ele pode ir a uma igreja, a uma mesquita, a uma sinagoga, a um templo - mas estas são somente conformidades sociais, porque ele não quer, em tal estado depressivo e negro, ser deixado sozinho; ele quer estar com a massa. Mas basicamente 
ele sabe que não existe paraíso; ele sabe que nenhum salvador virá.

Os hindus esperaram cinco mil anos por Krishna. Ele prometeu não somente que voltaria mais uma vez, ele prometeu que sempre que houvesse miséria, sofrimento, sempre que o vício estivesse acima da virtude, sempre que pessoas bondosas e simples e inocentes fossem exploradas pelos astutos e pelos hipócritas, ele viria. Mas por cinco mil anos 
nenhum dele sinal foi visto.

Jesus prometeu que ele voltaria e quando perguntado quando, ele disse: "Em breve". Eu posso esticar "Em breve", mas 
não por dois mil anos; isto é demais.

A idéia de que nossa miséria, nosso sofrimento, nossa angústia será levada embora 
não é mais atraente. A idéia de que existe um Deus que cuida de nós parece ser simplesmente uma piada. Olhando para o mundo, não parece como se alguém estivesse cuidando.

De fato, na Inglaterra existem 
quase trinta mil pessoas que são adoradoras do diabo - somente na Inglaterra, uma pequena parte do mundo. E vale a pena examinar a ideologia deles com relação à sua pergunta. Eles dizem que o diabo não está contra Deus, o diabo é filho de Deus. Deus abandonou o mundo e agora a única esperança é persuadir o diabo para tomar conta pois Deus não está tomando conta.

E trinta mil pessoas estão adorando o diabo como um filho de Deus... e a razão é que eles 
sentem que Deus abandonou o mundo - ele não mais se preocupa com ele. Naturalmente, o único jeito é apelar para o seu filho; se de algum modo ele pode ser persuadido por meio de rituais, preces, adoração, talvez a miséria, a escuridão, a doença possam ser removidas. Esse é um esforço desesperado.

A realidade é que o 
homem sempre viveu na pobreza. Tem uma coisa bela na pobreza: ela nunca destrói a sua esperança, ela nunca vai contra os seus sonhos, ela sempre traz entusiasmo para o amanhã. Pode-se ser cheio de esperança, acreditando que as coisas serão melhores: este período negro já está passando, logo haverá luz.

Mas 
esta situação mudou. Nos países desenvolvidos... e lembre-se: o problema da depressão não está nos países não desenvolvidos - nos países pobres as pessoas ainda são esperançosas - ela está apenas nos países desenvolvidos, onde eles podem ter tudo o que sempre desejaram. Agora o paraíso não irá mais funcionar; nem uma sociedade sem classes pode ajudar. Nenhuma utopia será melhor. Eles atingiram a meta - e este atingir a meta é a causa da depressão. Agora não existe mais esperança: o amanhã será negro e o dia depois de amanhã será ainda mais negro.

Todas estas coisas que eles sonharam eram muito belas. Eles nunca olharam para as implicações. Agora que eles as têm, eles as receberam com a implicações. Um homem é pobre, mas ele tem um apetite. E é melhor ser pobre ter um apetite do que ser rico e não ter um apetite. O que você irá fazer com todo o seu ouro, com toda a sua prata, com todos os seus dólares? Você 
não pode comê-los.

Você tem tudo, mas o apetite para o qual você esteve se esforçando todo o tempo desapareceu. Você teve sucesso - e eu disse repetidas vezes que 
nada fracassa como o sucesso. Você atingiu um lugar que você gostaria de atingir, mas você não estava consciente dos subprodutos. Você tem milhões de dólares, mas você não pode dormir.

Quando Alexandre estava na Índia encontrou um santo nu no deserto.

Ele declarou: "Eu sou Alexandre, o Grande!"

O santo disse: "Você 
não pode ser."

Ele disse, "Que bobagem! Eu mesmo estou dizendo isso, e você pode ver meus exércitos em todo o lugar."

Ele disse: "Eu vejo os seus exércitos, mas um que chama a si mesmo 'O Grande' ainda não atingiu a grandeza, porque a grandeza faz as pessoas humildes, de forma que isso 
é um fracasso, um fracasso absoluto."

Alexandre era um discípulo de Aristóteles e foi treinado por ele na lógica pura. Ele não podia ouvir todo esse lixo místico. Ele disse: "Eu não acredito nessas coisas. Eu 
conquistei o mundo inteiro".

O homem nu disse: "Se neste deserto que você está sedento, e eu 
ofereço-lhe um copo de água, quanto você seria capaz de me dar por ele? - e por milhas não há água."

Alexandre disse: "Eu lhe daria 
metade do meu reino."

O santo disse: "Não, não vou vendê-lo pela metade do reino. Ou você tem o reino, ou tem o copo de água. E você está sedento e você está morrendo e não há possibilidades de encontrar água em qualquer lugar - o que você vai fazer?"

Ele disse: "Então, naturalmente, eu lhe darei 
todo o reino."

O santo riu e disse: "Então esse é o preço do seu reino inteiro - apenas um copo de água! E 
você acha que conquistou o mundo inteiro? A partir de hoje comece a dizer que conquistou um copo de água inteiro."

Quando um homem atinge os objetivos que ele acalentou, então ele se torna consciente de que 
existem muitas coisas em volta deles. Por exemplo, por toda a sua vida você tenta ganhar dinheiro, pensando que um dia, quando você o tiver, você viverá uma vida relaxada. 

Mas você esteve tenso por toda a sua vida – a tensão se tornou a sua disciplina - e no fim de sua vida, quando você conquistou todo o dinheiro que você quis, você não pode relaxar. Toda uma vida disciplinada com tensão e angústia e preocupação não irá relaxá-lo. Assim você não é um ganhador, você é um perdedor. Você perde o seu apetite, você destrói a sua saúde, você destrói a sua sensibilidade, sua delicadeza. Você destrói o seu senso estético - porque não existe tempo para todas estas coisas que não produzem dólares.

Você está correndo atrás de dólares - quem tem tempo para olhar as rosas e quem tem tempo para olhar os pássaros voando, e quem tem tempo de olhar a beleza dos seres humanos? Você 
adia todas essas coisas de maneira que um dia, quando você tiver tudo, você irá relaxar e desfrutar. Mas com o tempo você teve tudo, você se tornou um certo tipo de pessoa disciplinada - que está cego para as rosas, que está cego para a beleza, que não pode desfrutar a música, que não pode entender a dança, que não pode entender a poesia, que só pode entender os dólares. Mas tais dólares não dão satisfação.
Esta é a causa da depressão. É por isto que ela ocorre somente nos países desenvolvidos e somente nas classes mais ricas dos países desenvolvidos - nos países desenvolvidos existem pessoas pobres também, mas elas não sofrem de depressão - e agora você não pode dar ao homem nenhuma esperança para remover a sua depressão porque ele tem tudo, mais do que você pode prometer. Sua condição é realmente lastimável. Ele nunca pensou nas implicações, ele nunca pensou nos subprodutos, ele nunca pensou no que estava perdendo ganhando dinheiro.

Ele nunca pensou que perderia tudo aquilo que o poderia fazer feliz simplesmente porque ele 
sempre empurrou todas estas coisas para o lado. Ele não tinha tempo e a competição era dura e ele tinha que ser duro. No final ele descobre que o seu coração está morto, sua vida é sem sentido. Ele não vê nenhuma possibilidade no futuro de qualquer mudança, porque: "O que mais existe...?"

Eu costumava ficar em Sagar na casa de um homem muito rico. O velho homem era muito bonito. Ele era o maior fabricante de bidi em toda a índia. Ele tinha tudo o que você pode imaginar, mas ele era 
absolutamente incapaz de desfrutar qualquer coisa.

Desfrutar é algo que tem que ser nutrido. É uma certa disciplina, uma certa arte - a maneira de desfrutar - e leva tempo para se entrar em contato com as grandes coisas da vida. Mas o homem que está correndo atrás do dinheiro 
passa ao lado de tudo que é uma porta para o divino, e ele chega no fim da estrada e não há nada na sua frente exceto a morte.

Toda a sua vida ele foi miserável. Ele tolerou e ignorou isto na esperança de que as coisas iriam mudar. Agora ele não pode ignorar e não pode tolerar porque amanhã existe somente a morte e nada mais. E o acúmulo de miséria de toda a vida que ele ignorou, o sofrimento que ele ignorou, 
explode em seu ser.

O homem mais rico, de um modo, é o homem mais pobre no mundo. Ser rico e não ser pobre é uma grande arte. Ser pobre e ser rico é o outro lado da arte. Existem pessoas que são pobres as quais você achará imensamente ricas. Elas não têm nada, mas elas são ricas. Suas riquezas não estão em coisas mas 
no seu ser, nas suas experiências multidimensionais.

E há pessoas ricas que têm tudo mas são absolutamente pobres e 
vazias e ocas. Bem dentro existe somente um cemitério.

Não é uma depressão da sociedade, porque então ela afetaria os pobres também; é simplesmente uma 
lei natural e o homem agora tem que aprender isto. Até agora não havia necessidade, porque ninguém tinha atingido um ponto onde ele tinha tudo, enquanto dentro havia completa escuridão e ignorância.

A primeira coisa na vida é encontrar sentido 
no momento presente.

O sabor básico do seu ser deveria ser de amor, de alegria, de celebração. Então você pode fazer tudo; os dólares não irão destruir isto. Mas você coloca tudo de lado e simplesmente corre atrás de dólares achando que os dólares podem comprar tudo. E então um dia você descobre que eles 
não podem comprar nada - e você devotou toda a sua vida aos dólares.

Esta é a causa da depressão. E particularmente no ocidente a depressão está sendo muito profunda. No oriente existiram pessoas ricas, mas havia uma certa dimensão disponível. Quando a estrada da riqueza chegava a um fim, eles não permaneciam parados lá; eles se moviam para novas direções. Esta nova direção estava no ar, disponível por séculos. No oriente o pobre estava em uma condição muito boa e o rico estava em uma condição tremendamente boa. O pobre aprendeu o contentamento assim eles não se preocupavam em correr atrás da ambição. E o rico entendeu que um dia você tem que renunciar tudo isto e 
ir em busca da verdade, em busca do significado.

No ocidente, no final, a estrada simplesmente acaba. Você pode voltar, mas voltando não irá ajudar sua depressão. Você precisa uma nova direção. Gautama Buda, Mahavira, ou Parshvanath - essas pessoas estavam no pico da riqueza e então elas viram que ela é quase uma carga. 
Alguma coisa a mais tem que ser encontrada antes que a morte tome posse de você - e elas foram corajosas o suficiente para renunciar a tudo.

Suas renúncias foram mal entendidas. Elas renunciaram a tudo isto porque elas não queriam se preocupar um simples segundo mais com o dinheiro, com o poder - porque elas 
viram o topo e não há nada lá. Elas foram ao mais alto degrau da escada e descobriram que ela não leva a nenhum lugar; é somente uma escada levando a nenhum lugar.

Enquanto você está em algum lugar no meio ou mais baixo que o meio, você tem uma esperança porque existem outros degraus mais altos que você. Chega um momento quando você está no degrau mais alto e 
só existe o suicídio ou a loucura - ou hipocrisia; você continua sorrindo até que a morte acaba com você, mas bem no fundo você sabe que está desperdiçando a sua vida.

No oriente, a depressão nunca foi um problema. O pobre aprendeu a desfrutar o pouco que ele tinha e o rico aprendeu que ter todo o mundo aos seus pés não significa nada - você tem que ir em busca do significado, não do dinheiro. E eles tinham precedentes; por milhares de anos as pessoas foram em busca da verdade e a encontraram. Não há necessidade de ficar desesperado, em depressão, 
você apenas tem que se mover para uma dimensão desconhecida. Eles nunca a exploraram, mas quando eles começam a explorar a nova dimensão - ela significa uma jornada interior, uma jornada para eles próprios - tudo o que eles haviam perdido começa a retomar.

O ocidente 
precisa urgentemente de um grande movimento de meditação; de outra forma, essa depressão irá matar pessoas. E essas pessoas serão as talentosas - porque elas conquistaram poder, elas conquistaram dinheiro, elas conquistaram o que elas queriam... os mais altos graus de educação. Estas são as pessoas de talento e elas estão se sentindo desesperadas.

Isto será perigoso porque as pessoas mais talentosas não estão mais entusiasmadas com a vida e as sem talento estão entusiasmadas com a vida mas elas nem mesmo têm talento para ter poder, dinheiro, educação, respeitabilidade. Elas não têm os talentos, assim elas estão sofrendo, se sentindo em desvantagem. Elas estão se tornando terroristas, elas estão se voltando em direção à violência desnecessária somente por vingança - porque elas não podem fazer mais nada.Mas elas podem destruir. E os ricos estão quase prontos para enforcarem-se em alguma árvore porque não existe razão para viver. Seus corações pararam de bater há muito tempo. Eles são apenas cadáveres - bem decorados, bem reverenciados, mas verdadeiramente vazios e fúteis.

O ocidente está realmente em uma condição muito pior do que o oriente, apesar de que para aqueles que não entendem parece que o ocidente está em uma melhor condição do que o oriente porque o oriente é pobre. Mas pobreza não é um problema tão grande quanto é o 
fracasso da riqueza; assim um homem é realmente pobre. Um pobre comum pelo menos tem os seus sonhos, esperanças, mas o homem rico não tem nada.

O que é preciso é um 
grande movimento de meditação atingindo cada pessoa.

E no ocidente essas pessoas que estão deprimidas estão indo aos psicanalistas, terapeutas e todos tipos de charlatões que 
estão eles mesmos deprimidos, mais deprimidos que seus pacientes - naturalmente, porque todo o dia eles estão escutando a respeito de depressão, desespero, ausência de significado. E vendo tantas pessoas talentosas em tal estado, elas próprias começam a perder os seus espíritos. Elas não podem ajudar; elas mesmas precisam de ajuda.

A função da minha escola será a de preparar pessoas com energia meditativa e enviá-las para o mundo apenas como exemplo para aqueles que estão deprimidos. Se eles podem ver que 
existem pessoas que não estão deprimidas - mas pelo contrário, que estão imensamente alegres - talvez uma esperança possa nascer dentro deles. Agora eles podem ter tudo e não há necessidade de se preocuparem. Eles podem meditar.

Eu não ensino a renúncia à sua riqueza ou a qualquer outra coisa. Deixe que tudo seja do jeito que é. Somente adicione uma coisa a mais na sua vida. Até agora você apenas tem adicionado coisas na sua vida. Agora 
adicione algo para o seu ser - e isto criará a música, isto criará o milagre, isto criará a mágica, isto criará uma nova vibração, uma nova juventude, um novo frescor.

Não é insolúvel. O problema é grande, mas 
a solução é muito simples.


Osho, em "The Transmission of the Lamp"
Imagens por David M*(davide) e p0psicle

domingo, 1 de junho de 2014

DESAFIOS À FÉ

A sociedade hedonista atual, vinculada ao consumismo exorbitante, no qual parece encontrar segurança em relação aos conflitos existenciais, mantém atávica resistência a todas e quaisquer expressões de fé religiosa, buscando mecanismos de fuga da realidade, como afirmação de liberdade de expressão e de autorrealização. 

Nada obstante, avança em desabalada correria para as fugas psicológicas, tombando, não poucas vezes, no vazio existencial, na depressão ou no consumo do álcool, do tabaco, das drogas ilícitas, dos alucinógenos e dos desvios de comportamento sexual. 

As castrações decorrentes das religiões ortodoxas do passado prosseguem afligindo-a de tal forma, que a simples lembrança de qualquer expressão doutrinária indu-la ao pensamento das imposições asselvajadas dos regimes políticos ditatoriais, ou quando se referem ao Espírito, ressuma inconsciente aversão, decorrente dos abusos da fé arbitrária dos tempos recuados. 

Pensa-se unicamente em viver-se as comodidades defluentes da tecnologia e das ciências, sem dúvida, portadoras de valores inestimáveis, mas nem por isso, únicas proporcionadoras de harmonia e de completude. 

O ser humano renasce para a conquista da autoconsciência, para a superação dos arquétipos perturbadores que lhe permanecem no inconsciente impondo diretrizes de libertação que mais o afligem. 

O prazer tornou-se o novo deus, substituindo os deuses de outrora, e os ases dos esportes, do cinema, da televisão, do poder, dos divertimentos, das fantasias, tornam-se inspiração para as buscas atormentadoras, gerando mais conflitos que se tornam epidêmicos. 

Eles próprios, os novos centuriões e gladiadores do Panis et circenses da velha Roma, desfilam nos carros da alucinação e da glória de um dia, logo substituídos por outros mais audaciosos, inumeráveis deles, porém, portadores de graves transtornos psicológicos e psiquiátricos, que se opõem à ordem, à beleza, à estesia, celebrizando-se pelas alucinações e agressões que lhes retratam a violência e o desconforto interno.

Pergunta-se: - Para onde segue a sociedade? 

Os padrões éticos destroçam-se nas aventuras chocantes e desastrosas em que malogram os novos programadores dos destinos, dando lugar a tragédias contínuas, à violência e à degradação dos costumes. 

A juventude, sem a assistência da família, opta pelo aproveitamento do tempo para o desordenado jogo do prazer, especialmente quando os pais imaturos competem com os filhos nos seus campeonatos de insensatez, entregando-se à exaustão dos vícios, perdendo a infância que cede lugar ao amadurecimento precoce, invariavelmente resultado da necessidade de competir desde muito cedo com os mais velhos, aproveitando-se das oportunidades que lhes chegam... 

Os tormentos sexuais instalam-se-lhes prematuramente e as experiências dessa natureza sucedem-se, sem qualquer controle, atingindo níveis de elevada frustração e de desencanto. 

Sem o amparo do lar, os jovens formam clãs primitivos, fogem para as ruas do desgoverno social, entregando-se, na sua ignorância, curiosidade e inexperiência a toda sorte de sensações apressadas. 

Certamente, existem exceções enobrecedoras, que mantêm o equilíbrio social e trabalham pelo progresso com elevados sentimentos morais. 

Referimo-nos, porém, à devastadora cultura newtoniana e cartesiana estruturada no conceito da matéria, cuja máquina expressa na organização física dos seres de todas as espécies, demanda ao aniquilamento, em razão do desconserto de suas peças. 

Como efeito, somente apresenta validade o que pode ser apalpado, medido, programado, exatamente no momento quando as conquistas da tecnologia avançada oferecem à reflexão o bóson de Higgs, o mapeamento do DNA ou código da vida, a visão do universo com os seus bilhões de galáxias, induzindo o pensamento a uma Causalidade não física ou a uma assinatura de Deus nas expressões mais extraordinárias da energia. 

A alucinação pelo conforto, no entanto, sempre transitório e frustrante, em razão da sua fugacidade, que logo exige novas expressões mais fortes, deixa o indivíduo distante dessas referências que induzem ao aprofundamento da mente nas causas da vida e no seu significado, mantendo-o iludido quanto ao sentido da sua existência planetária que, não sendo interrompida pela morte, para ela ruma... 

Desse modo, quando as forças físicas e mentais, emocionais e estruturais do corpo diminuem com o advento das enfermidades inevitáveis e da velhice, a amargura, a revolta ou o desespero mais se insculpem no âmago do indivíduo, que não se conforma com o aniquilamento, nem a perda dos recursos propiciatórios dos gozos, agora, mais difíceis... 

Para todos os seres humanos, entretanto, existe o Espiritismo com as suas portentosas demonstrações positivistas em torno da sobrevivência do ser real, em torno do mundo legítimo e causal, da programática existencial no cômputo das leis universais perfeitas, elaboradas pela inteligência suprema e causa primeira de todas as coisas, que é Deus. 

Aos espíritas cabe a desafiadora tarefa de apresentar a fé raciocinada e lógica legada pela codificação do Espiritismo, de maneira a enfrentar o materialismo nos seus significativos estertores, de maneira a atender a grande massa humana aturdida por haver perdido o rumo religioso na neblina da ignorância e do dogmatismo. 

Observando-se o interesse dos astrofísicos em constatar a probabilidade de vida em outros planetas ou quaisquer outros astros do Universo, qual ocorre com as extraordinárias análises do solo de Marte, ora estudado pelo jipe robô Curiosity, deve o ser humano reflexionar em torno da vida de maneira mais grave e não superficialmente com indiferença qual vem ocorrendo com a quase generalidade. 

Breve meditação em torno do ser existencial e logo chega-se à conclusão do sentido da vida na Terra, do seu magnífico programa educacional e de desenvolvimento da divina fagulha de que se constitui, despertando-se para os valores éticos e os objetivos reais, proporcionadores da harmonia interior e do equilíbrio dos sentimentos com a razão. 

A existência terrena é mais do que um licor ou fel para serem tragados pela imposição nefasta do acaso ou do destino injustificável. 

Pode, sim, tornar-se uma e outra coisa dependendo de como se considera a experiência fantástica do viver, dela fazendo um vale de lágrimas das ultrapassadas alegorias religiosas ou um paraíso de benesses das utopias passadistas... 

Desse modo, esta filosofia científica, em razão dos seus fundamentos poderem ser demonstrados nos laboratórios das experiências mediúnicas, que é uma ciência filosófica, face aos seus paradigmas elucidativos em torno do ser, do destino e do sofrimento, é, também, uma religião de profundos conteúdos psicológicos e éticos centrados no amor, na auto conquista, na iluminação interior. 

Investigá-la com seriedade sem parcialismo é dever de todo ser inteligente que anela pela autoconsciência, a fim de viver com discernimento e harmonia.

Vianna de Carvalho

Psicografia de Divaldo Pereira Franco,