segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Harmonia no lar


O instrutor Félix orienta o pupilo Magnus a respeito da importância de se ter bons modos no próprio lar…
- Cada palavrão desferido por uma boca frouxa, acostumada aos xingamentos como forma de desafogo, é comparável a um caminhão de lixo que verte sua caçamba no interior do ambiente, repercutindo, não apenas nas vibrações escuras que ficam reverberando pela atmosfera do lar, como atingem a cada um dos seus integrantes, na medida de suas sensibilidades, produzindo mal-estar, revolta, depressão, sofrimento, lágrima, raiva, ou desencadeando nova onda de palavras chulas que os outros possam atirar-lhe em forma de revide verbal ou mental.
Não bastando isso, a degeneração fluídica que uma única expressão é capaz de iniciar, pode abrir as portas da estrutura familiar para o ingresso de um sem número de Espíritos inferiores que, posicionados nos arredores, acompanhando outras pessoas na calçada, ou mesmo perambulando sem rumo na rua, se veem atraídos por aquele choque magnético que eles identificam como uma assinatura fluídica inferior a atraí-los para o ambiente no qual encontrarão os hábitos e assuntos a que se afeiçoaram.
Desse jeito, a casa vai sendo ocupada por todo tipo de entidades sofridas ou maldosas que, por sua vez, saem em busca de seus amigos e os trazem para a nova moradia, piorando o estado geral da vibração coletiva, produzindo um aprofundamento dos problemas psíquicos de seus membros, empesteando os fluidos ali existentes, e assessorando aqueles com os quais mantenham uma afinidade maior, por causa dos hábitos mentais descontrolados ou invigilantes de um único de seus moradores.
Ouvindo tais advertências, Magnus considerou, interessado:
-    Mas se só um dos membros pode causar tamanho estrago no ambiente da família, como ficam aqueles que não merecem tal tipo de companhia, mas que vivem ao lado desse indivíduo complicado pelo desequilíbrio emocional e pelo destempero verbal?
-    Bem, meu filho, a lei é Justa e Sábia. Todos aqueles que se mantenham em elevação de pensamentos e sentimentos e que não se permitam ingressar na onda de vibrações inferiores são as salvaguardas do lar, mantendo as balizas luminosas que o defenderão e que, acesas pelo devotamento e pelo equilíbrio dos que zelam por sua estrutura límpida, receberão esses componentes desajustados como um doente a ser medicado pelo hospital da família equilibrada. No entanto, o que costuma acontecer, em grande parte dos casos, é que a regra da laranja funciona invariavelmente.
Sem entender direito a referência bem humorada, Magnus sorriu e perguntou:
-    Regra da Laranja? Nunca escutei falar dela!
-    Ora, meu amigo, claro que já escutou. É aquela que fala que uma laranja estragada no meio da caixa costuma acelerar o apodrecimento das demais.
Lembrando-se de que já conhecia, Magnus balançou a cabeça e deixou que o instrutor continuasse:
-    Assim, graças à regra da laranja, a maioria dos membros da família que se vê na condição de possuir, entre seus integrantes, uma pessoa difícil, intransigente, faladeira, mentirosa, intrigueira, maledicente, xingadora, ao invés de manter a qualidade dos valores e virtudes elevadas, prefere resvalar para o mesmo padrão de insanidade e, assemelhando-se à laranja podre, começa a apodrecer igualmente, tornando mais escancarado o ambiente da casa aos invasores que poluem os pensamentos e sentimentos, instaurando o desajuste geral como lei de convivência.
Por isso é que o mundo espiritual não se cansa de aconselhar a oração em família, semanalmente, como fonte de reequilíbrio e de higienização das vibrações do ambiente, atividade esta que deve ser feita de maneira natural com aqueles que aceitem dela participar.
-    Mas o simples fato de se orar em família, pode servir tanto ao equilíbrio da casa?
-    Você nem faz ideia de como isso é benéfico.
Livro Despedindo-se da Terra, cap.15, Espírito Lúcius – psicografia de André Luiz Ruiz.

COMPROMISSO ESPÍRITA

COMPROMISSO ESPÍRITA

Eu vos saúdo em nome de Nosso Senhor Jesus-Cristo !
Todos vós, obreiros da Era Nova, não vos equivoqueis ! Chegado é o momento
da definição resoluta e terminante, no que tange a responsabilidades íntimas e
intransferíveis no campo do Senhor da Vida Total.
Aquinhoados, abundantemente, com a comunicação do Mundo Espiritual, sabeis
que o túmulo é porta de reingresso na vida, quanto o berço é clausura na jornada
da carne para refazer e para edificar.
Convocados ao ministério sublime da mediunidade socorrista, recebestes a semente
de luz para a plantação no solo do futuro, com vistas à Humanidade melhor do amanhã.
Se o óbice tenta obstaculizar-vos o avanço, não desanimeis; se o empeço arma difíceis
sedições pelo caminho, em forma de revolta íntima ou de revolta alheia, prossegui
intimoratos; se a impiedade zurze a chibata da incompreensão e semeia a vossos pés
o cardo, a urze e o pedregulho, não desanimeis; se vos ferirem, bendizei a oportunidade
de resgatar, considerando que poderíeis ser os criminosos que provocam dores; se a noite
de sombras espessas ameaçar o santuário da vossa fé, colocando cúmulos que dificultem
o discernimento nas telas da vossa mente, acendei a lâmpada clarificadora da prece para,
que a luz da compaixão e da misericórdia vos aponte rumos de segurança !
Em qualquer circunstância, amai ! Em qualquer situação, servi ! Em todo momento, crede !
O Senhor da Vida não nos abandona hora alguma e a sua misericórdia não nos deixa
nunca, fazendo que entesouremos, nos depósitos sublimes da alma, as moedas
luminescentes da felicidade total.
Dobrai-vos sobre as necessidades redentoras, marchai enxugando lágrimas com as mãos
suadas e envolvendo o coração na "lã do Cordeiro de Deus", confiai em que a senda
pavimentada com as pedras da humildade legítima vos conduzirá ao oásis refazente da paz,
em que a linfa cristalina e nobre do Evangelho estará cantando a melodia do reconforto
para vossas almas.
Exorando a Ele, o Excelso Benfeitor de todos nós, que nos abençoe e conduza, suplicamos
que nos não deixe nunca a sós, na obra com que nos dignifica a oportunidade e nos enseja
a ocasião de redenção interior !
(Obra: Depoimentos Vivos - Divaldo P. Franco/Eurípedes Barsanulfo

domingo, 26 de janeiro de 2014

Guerreando pelo afeto


No sentimento, os homens guerreiam. Armam estratégias de batalha, se municiam com um arsenal inumerável, adotam fantasias ou disfarces para melhor enganar as suas vítimas, disputam cada palmo do território conquistado, exercitam-se para estar em forma, fazem propaganda de sua causa para atrair o apoio moral dos seus companheiros, atiram suas armas sem medo nem dó, desprezam as vítimas de seus ataques e se apossam, quando pensam ter vencido, do prêmio decorrente de seus esforços, como algo que lhes pertencesse por direito, como acontecia ao vencedor de outrora.
Mas aquele que perde, em geral, inconformado com a derrota, geralmente se entrincheira no ódio, na desastrosa mágoa corrosiva e, por sua vez, articula o contragolpe, se possível mortal, a ser desferido contra seus oponentes.
Nessa atmosfera se acham todos os que são considerados homens e mulheres nas lutas da conquista afetiva, guerreiros que, em nome de um amor que dizem nutrir, espalham ódios, divisões, enganos, mentiras, agressão, más palavras, calúnias, jogando com a afetividade alheia para obterem alguma vantagem pessoal.
E quando atingem seus objetivos, depois de destruírem relações estáveis, depois de atearem fogo ao sossego de outros relacionamentos, passam a ter que suportar as exigências da nova conquista, agora sob sua tutela, ao mesmo tempo em que precisam administrar o ódio dos perdedores e as suas estratégias de ataque para destruírem a nova situação afetiva implantada.
Por isso, muita gente, depois de abandonada pelo companheiro ou companheira, adotando a postura da vingança, ao invés de reconstruir sua vida em outras bases mais luminosas e limpas, entregando os que partiram ao destino que os irá educar, se compromete a fazer a infelicidade dos que fugiram ao compromisso.
Muitos dizem: se não for para ser feliz ao meu lado, não será feliz ao lado de ninguém. Se não é para estar comigo, vou mover céus e terras para acabar com eles. Não pensem que vão me deixar aqui, na solidão, enquanto vão ficar sorrindo de felicidade por aí, como dois pombinhos apaixonados, isso é que não.
Se o abandono os feriu como efeito de um pretérito comprometido na área do afeto, quando suas outras vidas passadas testemunharam suas condutas irresponsáveis, produzindo, agora, o sofrimento da solidão para aprenderem o amargor de tal comportamento, ao adotarem o caminho da vingança, voltam a cair na mesma condição de agressores, de espalhadores do mal, de semeadores de tragédias.
E isso é assim em todos os setores da vida.
Livro Despedindo-se da Terra, cap.12, Espírito Lúcius – psicografia de André Luiz Ruiz.

Objetivo da encarnação


                                           Objetivo da encarnação

132. Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos?

“Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação; para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a expiação. Visa ainda outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento, de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.”

ação dos seres corpóreos é necessária à marcha do Universo. Deus, porém, na Sua sabedoria, quis que nessa mesma ação eles encontrassem um meio de progredir e de se aproximar Dele. Deste modo, por uma admirável lei da Providência, tudo se encadeia, tudo é solidário na Natureza.

133. Têm necessidade de encarnação os Espíritos que, desde o princípio, seguiram o caminho do bem?

Todos são criados simples e ignorantes e se instruem nas lutas e tribulações da vida corporal. Deus, que é justo, não podia fazer felizes a uns, sem fadigas e trabalhos, conseguintemente sem mérito.

a) - Mas, então, de que serve aos Espíritos terem seguido o caminho do bem, se isso não os isenta dos sofrimentos da vida corporal?

Chegam mais depressa ao fim. Demais, as aflições da vida são muitas vezes a conseqüência da imperfeição do Espírito. Quanto menos imperfeições, tanto menos tormentos. Aquele que não é invejoso, nem ciumento, nem avaro, nem ambicioso, não sofrerá as torturas que se originam desses defeitos".


                                                                 O Livro dos Espíritos


Pobres de Espírito e Espíritos Pobres

Pobres de Espírito e Espíritos Pobres



"Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus."
(Mateus, V, 3.)




Deus quer Espíritos ricos de amor e pobres de orgulho. Os "pobres de espírito" são os que acumulam tesouros nos Céus, onde a traça não os rói e os ladrões não os alcançam.

Os "pobres de Espírito" são os humildes, que nunca mostraram saber o que sabem, e nunca dizem ter o que têm; a modéstia é o seu distintivo, porque os verdadeiros sábios são os que sabem que não sabem!

É por isso que a humildade se tornou cartão de ingresso no Reino dos Céus.

Sem a humildade, nenhuma virtude se mantém. A humildade é o propulsor de todas as grandes ações e rasgos de generosidade, seja na Filosofia, na Arte, na Ciência, na Religião.

Bem-aventurados os humildes; deles é o Reino dos Céus!

Os humildes são simples no falar; sinceros e francos no agir; não fazem ostentação de saber nem de santidade; abominam os bajulados e servis e deles se compadecem.

A humildade é a virgem sem mácula que a todos discerne sem poder ser pelos homens discernida.

Tolerante em sua singeleza, compadece-se dos que pretendem afrontá-la com o seu orgulho; cala-se às palavras loucas dos papalvos; suporta a injustiça, mas folga com a verdade!

A humildade respeita o homem, não pelos seus haveres, mas por suas virtudes. A pobreza de paixões, de vícios, de baixas condições que prendem ao mundo, e o desapego de efêmeras glórias, de egoísmo, de orgulho, amparam os viajores terrenos que caminham para a perfeição.

Foi esta a pobreza que Jesus proclamou: pobreza de caráter deprimido. Quantos pobres de bens terrenos julgam ser dignos do reino dos Céus, e, entretanto, são almas obstinadas e endurecidas, são seres degradados que, sem coberta e sem pão, repudiam a Jesus e se fecham nos redutos de uma fé bastarda, que, em vez de esclarecer, obscurece, em vez de salvar, condena!

Não é a ignorância e a baixa condição que nos dão o Reino dos Céus, mas, sim, os atos nobres: a caridade, o amor, a aquisição de conhecimentos que nos permitam alargar o plano da vida em busca de mais vastos horizontes, além dos que avistamos!

Se da imbecilidade viesse a "pobreza de espírito" que dá o reino dos Céus, os néscios, os cretinos, os loucos não seriam fustigados na outra vida, como nos dizem que são, quando de suas relações conosco.

Pobres de espírito são os simples e retos, e não os orgulhosos e velhacos; pobres de espírito são os bons que sabem amar a Deus e ao próximo, tanto quanto amam a si próprios.

Pobres de espírito são os que estudam com humildade, são os que sabem que não sabem, são os que imploram de Deus o amparo indispensável às suas almas.

Para estes é que Jesus disse: "Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos Céus."







por Cairbar Schutel
Parábolas e Ensinos de Jesus
O Clarim.


LIBERDADE E ESCRAVIDÃO NO CONTEXTO DA DOUTRINA DOS ESPÍRITOS

             LIBERDADE E ESCRAVIDÃO NO CONTEXTO DA DOUTRINA DOS ESPÍRITOS 




                       Estima-se que existam no mundo entre 12 a 27 milhões de pessoas escravizadas nas diversas atividades da indústria, serviços urbanos, agricultura e nos calabouços da prostituição. “Andrew Forrest, o 4º homem mais rico da Austrália e 211º do mundo, segundo o ranking da revista Forbes, almeja erradicar a exploração do trabalho forçado do planeta. Em 2012, ele criou a ONG Walk Free, injetou nela 8 milhões de dólares, mais doze milhões em 2013, e aliou-se ao mais famoso dos neoabolicionistas, o americano Kevin Bales. O primeiro fruto da Walk Free é um mapeamento da exploração da mão-de-obra em 162 países do mundo”.(1)
Constatamos que Forrest (talvez ele nem saiba disso) movimenta-se sob os auspícios dos ideais que alguns ricos disseminaram na Europa no século XIX. À época instituíram metas solidárias(2) para a erradicação da escravatura na sociedade, e sob essa bandeira abolicionista vários países aderiram, inclusive o Brasil.
No entanto, os envelhecidos ideários abolicionistas não conseguiram erradicar a servidão da sociedade. O termo “escravidão” constitui prática social em que um homem assume direitos de propriedade sobre outro através do engenho da barbaridade.
Em algumas sociedades, desde os tempos mais remotos, os escravos eram legalmente definidos como uma mercadoria. A expressão “escravidão”, aqui pesquisada, tem significado peculiar, pois atualmente não se compra ou se vende pessoas como outrora. No entanto, é legítima a expressão escravidão para mencionar, por exemplo, as atuais relações de cidadania ante governos autoritários e de trabalho em que os trabalhadores são constrangidos a desempenhar uma atividade contra sua vontade, sob intimidação, agressão corporal e psicológica ou outras formas de barbaridades. Portanto, podemos dizer que há escravidão nos países, notadamente os de “soberania popular volátil”, regados a regimes totalitários, onde não se admite livre expressão do pensamento. A liberdade de consciência é uma particularidade da civilização em seu mais adiantado estágio de desenvolvimento. Uma sociedade pacata para sustentar a estabilização, a conformidade e o conforto necessita constituir preceitos coerentes, lei e códigos legais portadores de medidas disciplinadoras. Para a Doutrina dos Espíritos, os meios compõem os fins; não se pode aspirar ao amor, à justiça, à liberdade, operando por meios impetuosos, abomináveis, políticos e partidários violentos. Na questão 837, de O Livro dos Espíritos, Kardec indagou qual seria o resultado dos entraves à liberdade de consciência. E os Espíritos responderam: "Constrangimento dos homens a agir de maneira diversa ao seu modo de pensar, o que os tornaria hipócritas".(3) As doutrinas materialistas “são as grandes chagas da sociedade”.(4) Qualquer organização social “fundada sobre base materialista traria em si mesma os germes da dissolução e os seus membros se despedaçariam entre si como animais ferozes.”(5)
Há diversos tipos de cerceamento da liberdade (“escravidão contemporânea”), a exemplo das mulheres e meninas que são “arrebatadas” para a servidão dos empregos de ocupações domésticas ou de ajudantes de serviços gerais, além de ocorrerem, em várias partes do orbe, o tráfico de mulheres para o meretrício forçado.
Impossível permanecermos impassíveis frente à brutalidade e violência contra a liberdade humana em pleno século XXI. Sou apolítico por natureza, mas avaliando diariamente os noticiários nacionais e internacionais sobre a liberdade do cidadão, apesar de revelar uma aberração, identificamos que a escravidão, sobretudo ideológica e partidária, ainda acontece em diversas partes do mundo, mormente nos países unipartidários, a exemplo da República Popular da China, República de Cuba, República Socialista do Vietname, República Democrática Popular da Coreia, República Democrática Popular de Laos.
Sobre a escravidão através do tráfico de pessoas (principalmente mulheres e crianças), nenhum país do planeta está livre dessa desonra. O trabalho escravo contemporâneo pode ser tão ou mais cruel que sua versão histórica, pois suas vítimas oferecem-se voluntariamente ao serviço, iludidas por uma promessa de emprego.
Mergulhando doutrinariamente na essência do tema “Escravidão X Abolição”, somos convidados a compulsar a monumental obra literária espírita “Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho”, a fim de deter-nos na elaboração da Abolição no Brasil, inicialmente articulada no Além-Túmulo, segundo certifica o Espírito Humberto de Campos. O célebre poeta maranhense, “Conselheiro XX” da Academia Brasileira de Letras, expõe que a Princesa Isabel reencarnou compromissada com a libertação dos escravos na “Pátria do Cruzeiro”. Todavia, todo o curso do processo já vinha sido tracejado pelas equipes de Ismael, sob as ordens de Jesus, que buscavam administrar as animações republicanas e abolicionistas com elevada quietação e muita prudência, com o intento de impedir desordens.
“Disse o Mestre: - Ismael, o sonho da liberdade de todos os cativos deverá concretizar-se agora, sem perda de tempo. Prepararás todos os corações, a fim de que as nuvens sanguinolentas não manchem o solo abençoado da região do Cruzeiro. Todos os emissários celestes deverão conjugar esforços nesse propósito e, em breve, teremos a emancipação de todos os que sofrem os duros trabalhos do cativeiro na terra bendita do Brasil.
Sob a anuência do Governador da Terra, Ismael deu início à tarefa de erradicar a escravidão no Brasil. Influenciado pelos responsáveis invisíveis da pátria, D. Pedro II foi apartado do trono nos albores de 1888. Desta forma, a Princesa Isabel, que já havia sancionado a Lei do Ventre Livre em 1871 - lei que garantia a liberdade aos filhos dos escravos - assumia a Regência. Sob a inspiração do Divino Galileu, a princesa escolhe o Senador João Alfredo para organizar o novo ministério, que seria formado por notáveis espíritos ali encarnados. Em 13 de maio de 1888, os abolicionistas apresentam à regente a proposta de lei que Isabel, cercada de entidades angelicais e misericordiosas, sancionou sem hesitar. Nessa data, toda uma onda de claridades compassivas descia dos céus sobre as vastidões do norte e sul da Pátria do Evangelho. Ao Rio de Janeiro afluem multidões de seres invisíveis, que se associam às grandiosas solenidades da abolição. Junto ao espírito magnânimo da princesa, permanecia Ismael com a bênção da sua generosa e tocante alegria. Enquanto se entoavam hosanas de amor no Grupo Ismael e a Princesa Imperial sentia, na sua grande alma, as comoções mais ternas e mais doces, os pobres e os sofredores, recebendo a generosa dádiva do céu, iam reunir-se, nas asas cariciosas do sono, aos seus companheiros da imensidade, levando às alturas o preito do seu reconhecimento a Jesus que, com a sua misericórdia infinita, lhes outorgara a carta de alforria, incorporando-se, para sempre, ao organismo social da pátria generosa dos seus sublimes ensinamentos.”(6)
Na “Pátria do Evangelho”, a escravatura foi abolida oficialmente em 13 de maio de 1888, porém, lamentavelmente, 107 anos após a “Lei Áurea” (1995) o governo brasileiro admitiu a existência de condições de trabalho análogas à escravidão do século XIX. Embora haja diversos acordos e tratados internacionais que abordam a questão do trabalho escravo, muitos trabalhadores ainda não recebem salários, assistência médica nem têm direitos trabalhistas. São vigiados por pistoleiros e proibidos de sair dos locais de trabalho forçado.
Para os espíritas, é totalmente “contrária à lei de Deus toda sujeição absoluta de um homem a outro homem. A escravidão é um abuso da força. Desaparece com o progresso, como gradativamente desaparecerão todos os abusos. É contrária à Natureza a lei humana que consagra a escravidão, pois que assemelha o homem ao irracional e o degrada física e moralmente.”(7)
Referências bibliográficas:
(1) Disponível em a href="http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/bilionario-australiano-investe-no-fim-da-escravidao%3E">http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/bilionario-australia...;, acessado em 15/01/2014;
(2) Consistentes teses acadêmicas comprovam que não foi e nem poderia ter sido por motivos econômicos;
(3) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, questão 837, RJ: Ed. FEB, 2006;
(4) Idem, questão 799;
(5) Idem, questão 148;
(6) Xavier, Francisco Cândido. Brasil, Coração do Mundo Pátria do Evangelho, ditado pelo espírito Humberto de Campos, RJ: ed. FEB, 2006;
(7) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, questão 829, RJ: Ed. FEB, 2006

A religião cósmica do amor

A religião cósmica do amor






Toda crença religiosa que se firma no amor é digna de respeito e carinho. O objetivo essencial da fé religiosa é dignificar a criatura humana, tornando-a melhor moralmente e preparando-a para desenvolver os valores espirituais que lhe dormem no íntimo.

Em razão do mergulho na matéria, o Espírito aturde-se, e quase sempre olvida os compromissos assumidos na Espiritualidade, deixando-se comandar pelas manifestações do instinto que o ajudaram nos períodos remotos da evolução, mas que foram suplantados pelo discernimento e pela consciência, permanecendo somente aqueles que preservam a vida e dão sentido existencial.

Na neblina carnal, no entanto, a predominância da matéria, como é compreensível, dificulta o discernimento a respeito da finalidade da reencarnação, facultando que os sentidos físicos se direcionem para o prazer, para o gozo, para a satisfação das necessidades biológicas.

A consciência, no entanto, trabalha pela eleição do significado existencial, do equilíbrio emocional, do bem-estar espiritual, alargando os horizontes da percepção para as conquistas relevantes e significativas que acompanharão o ser após o seu inevitável decesso tumular.

Por esses motivos, entre outros, a necessidade de uma religião que se expresse em lógica e praticidade, destituída dos aparatos e das fantasias, dos interesses sórdidos do comportamento material, faz-se imprescindível para enriquecer os seres humanos de beleza e harmonia. Isto porque a conquista da lógica, no longo roteiro evolutivo, impõe a necessidade de compreender-se tudo quanto se deseja vivenciar, a fim de constatar-se a sua resistência frente à razão em quaisquer circunstâncias.







Assim sendo, não há mais lugar para qualquer tipo de crença religiosa que se apresente com manifestações totalitárias, eliminando a capacidade do crente de pesquisar, de aceitar ou não os seus postulados, sendo-lhe exigido crer sem entender. É certo que ainda surgem segmentos religiosos fundamentados no fanatismo, geradores de lutas e de intolerância, tentando impor-se pela força dos seus dirigentes políticos ou de outra espécie, mas não pela sua estrutura racional e profunda.

Naturalmente, ante o impacto do progresso, aqueles que lhes aderem ao comportamento, logo desenvolvem o senso da razão e os abandonam, isso quando não lhes permanecem vinculados por frutos apodrecidos dos interesses materiais que lhes rendem prestígio, poder e recursos econômicos...

Nesse caso, destituídos do sentimento de amor, de compreensão e de bondade, estando ausentes o respeito pelo próximo e pelo seu direito de acreditar naquilo que mais lhe convém e felicita, essas estranhas doutrinas mais atormentam do que consolam, seduzindo grande fatia da sociedade que ainda permanece vitimada pelos atavismos, quando se fizeram poderosas e esmagaram aqueles que eram considerados adversários de comportamento enfermiço.

Foram essas religiões, trabalhadas pela força política e pelos impositivos da ignorância, que se encarregaram de afastar os fiéis das diretrizes do amor que conduz a Deus, abrindo espaço para os comportamentos agressivos e a revolta constante, facultando o desenvolvimento do materialismo e no niilismo, que lhes bloquearam a capacidade de crer e, por efeito, de abraçar os ideais de religação com a Divindade.







Nesse báratro, a misericórdia divina proporcionou à Humanidade uma crença religiosa que atende perfeitamente ao mandamento maior e, ao mesmo tempo, conforta e tolera tantos quantos não lhe dão guarida.

Trata-se do Espiritismo, que se faz resposta eloquente do amor de Deus às criaturas ansiosas que lhe suplicavam diretrizes e oportunidade de crescimento, assim como de recursos para a conquista da felicidade.

O Espiritismo, ademais de fundamentar-se no amor através da ação da caridade, é Doutrina profundamente racional, que esclarece o aprendiz a respeito das razões da crença e da sua legitimidade, por estruturar-se na linguagem iniludível dos fatos.

Jesus, quando esteve na Terra, elegeu o amor como sendo fonte de sabedoria e de iluminação mais poderosa que se pode conhecer.

Estabelecendo como essencial o amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, não renegou as crenças que predominavam na cultura de então, lamentando que as mesmas não possuíssem essa especial conduta, perdidas em aparência e cerimoniais que mataram o conteúdo essencial de que Moisés se fizera portador ao apresentar os Dez Mandamentos.

Neles estão inscritos, sem dúvida, os códigos éticos de alta magnitude, responsáveis pela ordem social e moral da Humanidade, numa síntese que facultaria ao direito civil em muitos países fundamentar os seus postulados naquelas seguras regras de comportamento.







Jesus, complementando, porém, a propositura do amor, de que a sua doutrina se faz o reservatório inexaurível, transformou-o em código superior de socorro aos infelizes de todos os matizes, utilizando-se da ação da caridade como sendo a sua expressão mais elevada.

Todas as suas palavras fizeram-se revestir pelos sublimes exemplos, pelas ações, pelos fatos extraordinários que passaram à Humanidade, confirmando-lhe o messianato, demonstrando ser Ele o Embaixador de Deus, aquele que todos esperavam, mas preferiram não aceitar, porque Ele feria de morte as paixões inferiores, os interesses mórbidos dos religiosos equivocados, que se compraziam em manter os crentes na ignorância, a fim de melhor explorá-los.

Por sua vez, Ele sempre elucidava todos os enigmas que atormentavam as pessoas, explicando a necessidade do amor em todas as expressões: ao trabalho, ao dever, à família, ao próximo de toda procedência, mas acima de tudo ao Pai Criador.

Submeteu-se às arbitrariedades do poder temporal para demonstrar a sua fragilidade na sucessão dos tempos, especialmente diante da morte que a todos arrebata, modificando as estruturas do mundo e das próprias criaturas.

Jamais se permitiu ceder aos caprichos dos adversários da verdade, divulgando-a e vivendo-a nas situações mais ásperas e agressivas.

Com a sua visão superior, conhecia a fragilidade daqueles que se candidatavam ao ministério de sua palavra, tolerando-lhes a fraqueza moral, mas não anuindo com ela, de modo que anunciou O Consolador, que Ele rogaria ao Pai enviar, a fim de que o rebanho não ficasse esparramado, sem diretrizes de segurança, nos momentos difíceis do futuro que se apresentariam para a conquista da real felicidade...E cumpriu a promessa, por ocasião do advento do Espiritismo.







O amor realmente deverá ser um dia a mais bela conduta, a mais significativa, a psicoterapêutica preventiva e curadora, tornando-se uma forma de religiosidade que fascinará a todas as criaturas.

Ao Espiritismo compete, portanto, o dever, através dos espíritas sinceros, de propagar os seus postulados, de divulgar imorredouras lições do Evangelho, de demonstrar a excelência de seus paradigmas, o alto significado de se que fazem instrumento as comunicações espirituais, a magnitude da reencarnação, a convivência com o bem e a sintonia com o inefável amor de nosso Pai.

A religião cósmica do amor, desse modo, no Espiritismo encontra o solo abençoado e fértil para apresentar-se e enflorecer-se, produzindo os frutos da felicidade que todos aspiram, sem nenhuma desconsideração pelas demais que se fundamentem no mandamento maior, vivendo a tolerância e a caridade indiscriminada.





 

Joanna de Ângelis / Divaldo P. Franco


Sexo antes do casamento


Sexo antes do casamento


Certa vez alguém perguntou à inesquecível figura de Chico Xavier: – Chico, sexo antes do casamento é permitido?

O médium, com sua peculiar mineirice, respondeu: – Tudo é permitido, porém, sem amor nada vale a pena, nem sexo nem casamento.

A resposta de Chico é colossal, abrangente, pode ser aplicada tranquilamente em nossa vida nos mais variados assuntos.

Aliás, a resposta de Chico cabe perfeitamente aos pais cujo objetivo de vida principal se resume em galgar degraus na careira profissional, conquistando pontos com a sociedade, mas perdendo pontos com a família e negligenciando deveres fundamentais pertinentes à educação dos filhos.

Ora, a atividade profissional e a dedicação do indivíduo a ela é fundamental, porquanto, lembrando Maslow, trabalho, a depender do ponto de vista, enquadra-se dentro das necessidades básicas da criatura humana. Sem o dividendo advindo dos labores de nossa profissão, como manter família, ou vulgarmente dizendo: Como trazer o pão de cada dia ao lar? E a alimentação é uma necessidade básica de todos. Por isso, afirmamos a importância da dedicação do profissional aos labores profissionais, contudo, sem exageros.

A propósito, interessante lembrar que as intensas vontades de consumir superestimadas pelas propagandas, pelo marketing e pela mídia de forma geral, ajudaram a construir os workaholics, as pessoas viciadas em trabalho.

Acrescente-se a isso o intenso clima de competição vigente no mundo atual, e pronto. Está formado o cenário perfeito para os malucos modernos! Viciados em trabalho, alucinados por competir, insaciáveis para mostrar suas qualidades, ou melhor, suas conquistas no âmbito puramente material, aos seus colegas ou, melhor dizendo, rivais.

Logo, com todos esses afazeres, naturalmente a família e os filhos são negligenciados. Com valores esquecidos e a educação dos filhos relegada a terceiros, quartos e quintos, a desorganização instala-se em toda a sociedade.

Sem valores como respeito, companheirismo, amizade e, principalmente, amor ao próximo, a violência em suas mais variadas vertentes - como o sentimento de posse, cobranças descabidas, pressões psicológicas e abusos de autoridade - infiltra-se na sociedade, trazendo consigo a desconfiança, o medo, as aflições e angústias que caracterizam criaturas perdidas, sem objetivos mais ousados no campo de seu desenvolvimento como seres humanos.

Em conversa com uma de minhas professoras, tomei nota de uma pesquisa elaborada por ela e realizada com crianças de 8 a 15 anos, matriculadas no ensino público e privado. Uma das perguntas da pesquisa:

– Trabalhar é legal? Justifique.

Oitenta por cento das respostas dos alunos fez corar, porque afirmavam que trabalhar não é legal, ocupa muito tempo, não deixando espaço para os filhos. Veja, caro leitor, a mensagem que os pais estão transmitindo aos seus filhos é negativa. O garoto quer o pai ao seu lado, soltando pipa, brincando de carrinho, contando histórias, sendo criança com ele, mas repreendendo na hora certa, ensinando, instruindo, orientando...

Importante, pois, refletir no que estamos ofertando aos nossos familiares e filhos. Será que queremos vê-los crescer e considerar natural ser, por exemplo, um workaholic?

Será que queremos instalar nos pequenos corações de nossos filhos a ideia de que o trabalho se resume apenas à atividade profissional, e é algo chato, que ocupa tempo e desagrega a família?

Por isso, lembrando o inesquecível Chico, pode-se afirmar que, sem amor nada vale a pena, nem mesmo trabalhar.


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Reunião espírita de jovens ou reunião de jovens que se dizem espíritas?

    Reunião espírita de jovens ou reunião de jovens que se dizem  espíritas?



No passado, havia significativa resistência ao trabalho de mocidades espíritas em diversas casas espíritas brasileiras. Motivada pela opinião de alguns confrades injustificadamente contrários a esse tipo de trabalho que eram formadores de opinião, ou por medo de um tipo de atividade muito independente das demais reuniões desenvolvidas pelo centro espírita, ou até mesmo em função de um despreparo para lidar com os jovens, a resistência ao trabalho de mocidades espíritas era comum. De fato, em uma época em que os grupos de estudos eram menos comuns e as casas espíritas, sobretudo no interior do Brasil, apresentavam grande predominância de trabalhos de palestras em suas reuniões, muitos dirigentes vetavam o trabalho de mocidades espíritas em suas casas espíritas.
O trabalho de unificação do movimento espírita, o crescimento do número de centros espíritas frequentado por jovens, o aumento do número de grupos de estudos sistematizados e não sistematizados (além das atividades de palestras) e a diversificação crescente das atividades espíritas propiciaram uma maior abertura para a criação e o desenvolvimento de grande número de mocidades espíritas, bem como de tarefas correlatas em casas espíritas que não apresentavam esse tipo de trabalho.
Obviamente, trata-se de uma conquista, uma grande vitória do Movimento Espírita, em se tratando da busca pelo aumento e principalmente pela melhoria das atividades empreendidas pela casa espírita. Entretanto, tal como ocorre com todos os demais trabalhos da Casa Espírita, a atividade das mocidades espíritas tem suas potencialidades, dificuldades, peculiaridades e riscos inerentes, os quais devem ser analisados e administrados com atenção pelos dirigentes do Movimento Espírita, semelhantemente ao que acontece com as reuniões mediúnicas de desenvolvimento e desobsessão; reuniões de evangelização da criança; trabalhos de fluidoterapia; atendimento fraterno; reuniões de palestras públicas, assistência social etc.
O papel da mocidade na formação de trabalhadores – Há, porém, um problema adicional, em se tratando de reuniões de mocidade espírita, em comparação com as demais reuniões da casa espírita, predominantemente direcionadas ao público adulto. É que, pela própria faixa etária, o trabalho de mocidade tem um papel de destaque na formação de novos trabalhadores espíritas. De fato, a evangelização infantil, com raras e especiais exceções, tem sido muito mais focada no ensino moral, e mesmo que já exista alguma ênfase em algum conteúdo doutrinário, pela própria idade do público-alvo, temos que admitir que a solidificação da assimilação dos conteúdos somente ocorrerá a partir da pré-mocidade (também conhecida como primeiro ciclo das reuniões de mocidades), que engloba pré-adolescentes com no mínimo 10 ou 11 anos.
Portanto, mesmo que se trate de jovem de família espírita, habituado ao Evangelho no Lar e que tenha passado pela evangelização espírita infantil, as reuniões de mocidades espíritas terão um papel de destaque no amadurecimento pessoal do adolescente, enquanto militante espírita. Até porque não podemos ignorar a chamada “crise da adolescência”, que, dependendo do jovem, pode gerar sérios impactos existenciais.
Dentro desse contexto, temos de lembrar que grande número de pais espíritas (e muitas vezes espíritas militantes dirigentes do movimento espírita) não consegue que seus filhos se tornem pelo menos frequentadores da casa espírita. Essa realidade, que é grave e já antiga no movimento espírita, não tem recebido esforços suficientes por parte de pais e dirigentes espíritas no sentido da busca da melhoria do respectivo panorama.
A fim de que façamos algumas reflexões a respeito da necessidade de melhorar esse quadro e das estratégias que poderiam ser desenvolvidas no movimento espírita para essa finalidade, analisemos alguns tópicos da questão.
Basicamente, existem dois pilares fundamentais que devem ser respeitados: A reunião deve ser agradável e interessante para que os jovens tenham interesse em frequentá-la mais vezes, assumindo, paulatinamente, um compromisso pessoal crescente com a casa espírita e o movimento espírita; e, principalmente, a reunião deve fornecer doutrina espírita, gerando concretamente crescimento doutrinário para os participantes.
O que não pode faltar  a um grupo de jovens – Uma reunião de mocidade espírita “cansativa”, cujos coordenadores não apresentem abordagens carismáticas com os jovens, dificilmente vai vingar, pois não terá apelo suficiente para solidificar um grupo de adolescentes, mesmo que tenha elevado conteúdo doutrinário (se tiver, talvez os mais comprometidos e idealistas se mantenham vinculados, mas o grupo não tenderá a crescer significativamente).
Por outro lado, um grupo de estudos doutrinários sólidos, porém sem nenhum carisma e sem uma abordagem minimamente interessante e motivadora para os jovens, somente captará um número mínimo de jovens, na melhor das hipóteses.
Há grupos que nascem sem nenhum dos dois pré-requisitos e estão fadados ao desinteresse e à extinção. Conforme já comentamos, há outros grupos muito doutrinários, mas sem o ambiente adequado aos jovens, não gerando o estímulo e a motivação, que são tão importantes, sobretudo, nessa faixa etária. Obviamente, existem grupos que apresentam os dois pré-requisitos e têm grandes possibilidades de sucesso sob vários ângulos da questão. Mas há, também, grupos que a pretexto de atrair os jovens, ou em função de ideias personalistas de seus dirigentes, criam dinâmicas próprias que podem ter muito apelo ao jovem e podem até manter as reuniões cheias de frequentadores por determinado tempo, mas a médio e longo prazos dificilmente vão ajudar a formar novos trabalhadores espíritas, pois não abordam o Espiritismo propriamente dito.
Evidentemente, não estamos afirmando que tais grupos não possam fornecer uma certa contribuição indireta ao movimento espírita, mas também não podemos deixar de considerar que ainda estão muito longe da proposta verdadeiramente espírita.
Em primeiro lugar, é importante que fique claro que a reunião de mocidade trata-se de uma reunião espírita predominantemente frequentada por moços (o que não exclui a eventual e muitas vezes bem-vinda presença de pessoas de maior idade) e não de uma reunião de moços que eventualmente podem ter alguma ligação com o Espiritismo.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Nos Domínios da Sombra


Nos Domínios da Sombra

Em compacta assembléia do reino das sombras, um poderoso soberano das trevas, diante de milhares comparsas da miséria e da ignorância, explicava o motivo da grande reunião.
 
O Espiritismo com Jesus, aclarando a mente humana, prejudicava os planos infernais.

Em toda parte da Terra, as criaturas começavam a raciocinar menos superficialmente! Indagavam, com segurança, quanto aos enigmas do sofrimento e da morte e aprendiam, sem maior dificuldade, as lições da Justiça Divina. Compreendiam, sem cadeias dogmáticas, os ensinamentos do Evangelho. Oravam com fervor. Meditavam na reencarnação e passavam a interpretar com mais inteligência os deveres que lhes cabiam no Planeta. 

Muita gente entregava-se aos livros nobres, à caridade e à compaixão, iluminando a paisagem social do mundo e, por isso, todas as atividades da sombra surgiam ameaçadas...

Que fazer para conjurar o perigo?

E pediu para que os seus assessores apresentassem sugestões.

Depois de alguns momentos de expectativa, ergueu-se o comandante das legiões da incredulidade e falou:

- Procuremos veicular a crença de que Deus não existe e de que as criaturas viventes estão entregues a forças cruéis e fatais da Natureza...

O maioral das trevas, porém, objetou, desencantado:

- O argumento não serve. Quanto mais avança nos trilhos da inteligência mais reconhece o homem a Paternidade de Deus, sendo atraído inelutavelmente para a fé ardente e pura.

Levantou-se, no entanto, o orientador das legiões da vaidade e opinou:

- Espalharemos a notícia de que Jesus nada tem que ver com o Espiritismo, que as manifestações dos desencarnados se resumem num caso fisiológico para as conclusões da Ciência, e, desnorteando os profitentes da Renovadora Doutrina, faremos com que gozem a vida no mundo, como melhor lhe pareça, sem qualquer obrigação para com o Evangelho e, assim, serão colhidos no túmulo, com as mesmas lacunas morais que trouxeram do berço...

O rei das sombras anuiu complacente:

- Sim, essa ilusão já foi muito importante, contudo, há milhares de pessoas despertando para a verdade, na certeza de que as portas do sepulcro não se abririam para os vivos da Terra, sem a intervenção de Jesus.

Nesse ponto, o diretor das falanges da discórdia pôs-se de pé e conclamou:

- Sabemos que a força dos espíritas nasce das reuniões em que se congregam para a oração e para o aprendizado da Vida Espiritual, e nas quais tomam contacto com os Mensageiros da Luz... Assim sendo, assopraremos a cizânia entre os seguidores dessa bandeira transformadora, exagerando-lhes a noção da dignidade própria. Separá-los-emos uns dos outros com o invisível bastão da maledicência. Chamaremos em nosso auxílio os polemistas, os discutidores, os carregadores de lixo social, os fiscais do próximo e os examinadores de consciências alheias para que os seus templos se povoem de feridas e mágoas incuráveis e, assim, os irmãos em Cristo saberão detestar-se uns aos outros, com sorrisos nos lábios, inutilizando-se para as obras do bem.

O chefe satânico, todavia, considerou:

- Isso é medida louvável, contudo necessitamos de providência de efeito mais profundo, porque sempre aparece um dia em que as brigas e os desacordos terminam com os remédios da humildade e com o socorro da oração.

A essa altura, ergueu-se o condutor das falanges da desordem e ponderou:

- Se o problema é de reuniões, conseguiremos liquidá-lo em três tempos. Busquemos sugerir aos membros dessas instituições que o lugar dos conclaves é muito longe e que não lhes convém afrontar as surpresas desagradáveis da via pública. Faremos que o horário das reuniões coincida com o lançamento de filmes especiais ou com festividades domésticas de data fixa. Improvisaremos tentações determinadas para os companheiros que possuam maiores deveres e responsabilidades junto às assembléias, a fim de que os iniciantes não venham as perseverar no trabalho da própria elevação. Organizaremos dificuldades para as conduções e atrairemos visitas afetuosas que cheguem no momento exato da saída para os cultos espíritas-cristãos. Tumultuaremos o ambiente nos lares, escondendo chapéus e bolsas, carteiras e chaves para que os crentes se tomem de mau humor, desistindo do serviço espiritual e desacreditando a própria fé.

O soberano das trevas mostrou larga satisfação no semblante e ajuntou:

- Sim, isso é precioso trabalho de rotina que não podemos menosprezar. Entretanto, carecemos de recurso diferente...

O responsável pelas falanges da dúvida ergueu-se e disse:

- As reuniões referidas são sempre mais valiosas com o auxilio de médiuns competentes. Buscaremos desalentá-los e dispersá-los, penetrando a onda mental em que se comunicam com os Benfeitores Celestes, fazendo-lhes crer que a palavra do Além resulta de um engano deles próprios, obrigando-os a se sentirem mentirosos, palhaços, embusteiros e mistificadores, sem qualquer confiança em si mesmos, para que as assembléias se vejam incapazes e desmoralizadas...

O mentor do recinto aprovou a alegação, mas considerou:

- Indiscutivelmente, o combate aos médiuns não pode esmorecer, entretanto, precisamos de providência mais viva, mais penetrante...

Foi então que o orientador das falanges da preguiça se levantou, tomou a palavra, e falou respeitoso:

- Ilustre chefe, creio que a melhor medida será recordar ao pensamento de todos os membros das agremiações espíritas que Deus existe, que Jesus é o Guia da Humanidade, que a alma é imortal, que a Justiça Divina é indefectível, que a reencarnação é uma verdade inconteste e que a oração é uma escada solar, reunindo a Terra ao Céu...

O soberano das sombras, porém, entre o espanto e a ira, cortou-lhe a palavra, exclamando:

- Onde pretendes chegar com semelhantes afirmações?

O comandante dos exércitos preguiçosos acrescentou sem perturbar-se:

- Sim, diremos que o Espiritismo com Jesus, pedindo às almas encarnadas para que se regenerem, buscando o conhecimento superior e servindo à caridade, é, de fato, o roteiro da luz, mas que há tempo bastante para a redenção, que ninguém precisa incomodar-se, que as realizações edificantes não efetuadas numa existência podem ser atendidas em outras, que tudo deve permanecer agora como está no íntimo de cada criatura na carne para vermos como ficarão depois da morte, que a liberalidade do senhor é incomensurável e que todos os serviços e reformas da consciência, marcados para hoje, podem ser transferidos para amanhã... Desse modo, tanto vale viverem no Espiritismo como fora dele, com fé ou sem fé, porque o salário de inutilidade será sempre o mesmo...

O rei das sombras sorriu, feliz e concordou:

- Oh! Até que enfim descobrimos a solução!...

De todos os lados ouviam-se risonhas exclamações:

- Bravos! Muito bem! Muito bem!

O argumento do astucioso condutor das falanges da inércia havia vencido.


Mensagem psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Irmão X, extraída do livro Contos e Apólogos. 

Voto de Riqueza



Voto de Riqueza

“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis.” (Mateus 7:15-16)

Cristo nos avisou de que haveriam falsos profetas, ou seja, pessoas que apareceriam pregando em nome de Deus, mas que na verdade não possuem a divulgação do evangelho para promover o amor ao próximo e a felicidade das pessoas como interesse principal, mas, pelo contrário, interesses principalmente egoístas, como promover a si mesmo e tirar vantagem desta posição de destaque.

Todos conhecemos exemplos modernos dos que poderíamos chamar de falsos profetas, os líderes sensacionalistas que promovem milagres em massa transmitidos ao vivo pela televisão enquanto pedem doações sem parar e os religiosos que fizeram voto de pobreza e mesmo assim vivem cercados de luxo são alguns dos principais exemplos. 

A principal acusação que se faz a qualquer pessoa que resolva se dedicar a transmitir a palavra de Deus é mesmo a cobiça pessoal, seja ela uma pessoa bem ou mal intencionada, a principal acusação dos seus adversários será sempre o apego ao dinheiro e à vida de luxos, mesmo que a pessoa seja na verdade simples e humilde. Por isso a pessoa bem intencionada que resolva tentar transmitir o evangelho para um grande número de pessoas através dos meios de comunicação ou que possua uma posição de destaque numa organização religiosa deve tomar alguns cuidados para não causar uma impressão errada a pessoas menos informadas. Alguns destes cuidados podem até ser considerados difíceis de serem seguidos ou então parecerem mais uma auto punição, mas eles possuem o potencial de mostrar o verdadeiro desinteresse daquele que resolve assumir a posição divulgador da doutrina que prega o amor ao próximo e a humildade.

Poderia por exemplo o divulgador do evangelho obter renda de sua atividade religiosa para proveito pessoal?

Primeiro devemos lembrar que Alan Kardec, Chico Xavier e até mesmo Jesus trabalharam e mantiveram seu próprio sustendo quase que durante a vida toda, provando que cumprir uma grande missão e trabalhar duro para gerar seu próprio sustendo é perfeitamente possível. 

Utilizar qualquer renda proveniente de qualquer atividade ligada à divulgação do evangelho em proveito pessoal não é somente uma fonte imensa de desconfiança como também um perigo. Devemos sempre nos lembrar da nossa condição de espíritos imperfeitos e sujeitos sempre a errar e, no caso de não possuirmos uma fonte totalmente separada de sustendo próprio, a vontade natural de melhorar de vida pode em determinado momento acabar se misturando com a nossa vontade de trabalhar em atividades de ajuda ao próximo e divulgação da palavra de Deus. Com esta mistura de rendas e de interesses particulares com interesses altruístas o divulgador do evangelho corre o grave risco de se transformar em um comerciante ou negociador do evangelho e acabar, por exemplo, dando preferência, mesmo que inconscientemente,  pela divulgação dos seus trabalhos através dos meios que lhe trazem melhor retorno financeiro, ao invés de dar preferência aos veículos de divulgação que atinjam maior número de pessoas ou então naqueles em que exista garantia maior de que seus ensinamentos não serão distorcidos.

Alan Kardec em O Livro dos Médiuns  informa que: “O médium que, com um fim eminentemente sério e útil, se achasse impedido de empregar o seu tempo de outra maneira e, em conseqüência, se visse exonerado, não deve ser confundido com o médium especulador, com aquele que, premeditadamente, faça da sua mediunidade uma indústria. Conforme o motivo e o fim, podem, pois, os Espíritos condenar, absolver e, até, auxiliar. Eles julgam mais a intenção do que o fato material.” E também o espírito André Luiz no livro Conduta Espírita nos informa que o espírita deve: “Jamais prevalecer-se das possibilidades de que disponha no movimento espírita para favoritismos e vantagens na esfera profissional. Quem engana a própria fé, perde a si mesmo.” Podemos concluir então que a obtenção de qualquer renda ou benefício pessoal vinda de atividade religiosa deve ser evitada o máximo possível, demonstrando a capacidade de exercer dupla atividade (a profissional e também a religiosa da qual não obtém nenhum proveito) o obreiro do bem dá exemplo de desprendimento e dedicação.

O divulgador do evangelho, após assumir publicamente esta posição, pode continuar a progredir a expansão do seu patrimônio pessoal? 

A expansão do patrimônio pessoal de uma pessoa nesta posição será sempre fonte de desconfiança, tanto de seus seguidores como principalmente de seus adversários. Por melhor que sejam as intenções desta pessoa, a sua fortuna pessoal, ou até mesmo uma pequena melhoria no seu padrão de vida, será sempre uma inesgotável fonte de críticas e ataques pessoais. O divulgador da doutrina do amor e do desapego aos prazeres materiais deve sempre tentar enxergar a si mesmo pelos olhos das pessoas para as quais ele se expõe e tentar entender que, sob o ponto de vista de um irmão ignorante, qualquer melhoria no seu padrão de vida pode ser interpretada como charlatanismo. Ao demostrar possuir uma vida confortável, o divulgador do evangelho pode acabar afastando pessoas de bem, realmente interessadas em aprender os ensinamentos de cristo, mas que não conseguiram vencer a barreira da desconfiança; ao mesmo tempo em que pode acabar atraindo para perto de si pessoas que na verdade invejam o seu estilo de vida e suas conquistas materiais e erroneamente passam a enxergar na sua doutrina uma ferramenta de progresso material, ao invés de uma doutrina libertadora que visa apenas o progresso moral.

O simples apego às riquezas materiais também é uma fonte de perturbação que pode se colocar como um obstáculo aos trabalhos de evangelização, Jesus nos ensinou que não se pode “servir a Deus e a Mamom.”, lição esta explicada com detalhes no capítulo XVI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, esta afirmação que se pode fazer a respeito do apego ao dinheiro também poderíamos fazer em relação aos prazeres da comida ou do sexo, nenhuma destas coisas é essencialmente má, mas o apego a qualquer uma delas é uma fonte natural de perturbação.

E quanto ao divulgador do evangelho que já era relativamente rico no momento em que assumiu esta posição?

Vamos nos lembrar de que Alan Kardec renunciou ao prestigio e ao conforto da vida acadêmica, assim como Bezerra de Menezes renunciou à vida confortável de médico e São Francisco renunciou à nobreza entre muitos outros exemplos nobres, é claro que não podemos exigir o mesmo sacrifício de todos, mas estes sacrifícios com certeza têm o potencial de demonstrar superioridade moral e a fé verdadeira daquele que divulga o caminho para as riquezas do reino dos céus.

Na verdade qualquer minuto gasto em trabalhos em prol da divulgação do evangelho já representa uma renúncia de um tempo que poderia ser gasto em interesses pessoais, no mundo onde tempo é dinheiro, o tempo gasto visando o bem de nossos semelhantes significa que na verdade já estamos abrindo mão de algum tempo/dinheiro que poderíamos obter para nós mesmos.

Os espíritos que vêm à terra com uma missão de divulgação do evangelho frequentemente são beneficiados com bens materiais e acesso ao estudo e conhecimentos que nem sempre estão disponíveis para as classes mais pobres do nosso mundo injusto, estes empréstimos de Deus não são mais do que ferramentas para execução do trabalho, os espíritos sensatos se recusam a tirar proveito destas ferramentas e frequentemente gastam tudo o que possuem, além também de seu tempo e sua força de trabalho em atividades beneficentes por amor aos seus semelhantes mais humildes.

O divulgador do evangelho de cristo encontrará muitos adversários e por isso precisa estar sempre armado, armado de humildade e desprendimento, sempre pronto, por exemplo, a admitir estar errado sobre determinado assunto e aceitar uma nova ideia ou opinião divergente da sua, e também estar pronto para o sacrifício e a renúncia dos seus interesses pessoais. Uma vida de simplicidade é um escudo inviolável contra a maioria das acusações de que certamente será vítima, vale lembrar que Chico Xavier já foi até acusado de cobrar caro pelo “hot-dog” e pelo estacionamento próximo do local de seus trabalhos, mas a sua simplicidade gritava mais alto do que qualquer acusação.

Jesus e os apóstolos foram condenados à morte e também os cristãos dos primeiros tempos foram atirados aos leões no circo romano sem se desesperarem ou acharem que este era um sacrifício alto demais. Comparado a estes exemplos, o sacrifício de humildade imposto aos divulgadores do evangelho nos tempos modernos parece mesmo ser muito pequeno.